Por SÉRGIO OLIVEIRA DE MELO
Lembro
quando assistia as novelas da Globo na minha época de Brasil. Como sempre tinha
uma pequena turma de ricos, outra menor ainda de pobres e outra que era a
maioria, de classe média. Eu, que estava mais ou menos entre a segunda e a
terceira, achava estranho que cada vez que alguma menina rica -sempre linda e
inteligente, claro – tinha um problema, invariavelmente com o amor de sua vida,
mandavam ela sair de viagem, para esquecer. Nunca pensei que sair do lugar dos
fatos mudasse alguma coisa, mas como não tinha experiência nisso, aceitava e
pronto. Hoje que o trabalho me faz viajar mais do que meu corpo aguenta, vejo
que minha inquietude juvenil tinha pelo menos alguma coisa de certa.
Na
terça-feira passada, antes de tomar o avião a Paris, entrei no Blog do Roberto,
coloquei com triste resignação (existe indignação que não seja triste?) meu
palpite que marcava a derrota do Náutico para o Criciúma e fui para o
aeroporto.
Muita
coisa na cabeça, esposa ainda convalescendo de doença séria, trabalhos que tem
que ser feitos antes de sair e outros que, infelizmente, se acumularão para a volta,
de qualquer maneira meu pensamento estava no Timba.
Olho
pela primeira vez no celular e aos 20 do segundo tempo ainda estava 1x0.
Pênalti de Ronaldo Alves. Não acreditava mesmo na reação que de fato, nunca
chegou. Viajei de cabeça cheia. Que diferença do sábado anterior, quando o
travesseiro me recebeu leve e sorridente.
Mas,
Paris é sempre uma boa, mesmo que seja à trabalho. Não é a mesma coisa olhar a
janela de sempre do vizinho que ter o Sena do lado e a torre Eiffel no fundo.
Entre os dois algumas lindas mulheres cuja elegância felizmente ainda não
percebeu que é tempo de guardar as minissaias e tirar do guarda-roupa os abrigos
mais longos. O sorriso de uma delas cura até a raiva de
mais uma vitória do Santa.
Na
sexta-feira tudo isso estará do meu lado, mas nem Notre Dame será capaz de tirar minha atenção para o jogo
do Timba e meu humor na hora de encontrar com o travesseiro de hotel, dependerá
muito desse resultado.
Sim,
nunca entendi muito bem isso de que viajar faz a gente esquecer de tudo. Porque
mesmo que os olhos não sejam testemunha, este cada vez mais velho coração Timbu
sempre sentirá tudo, pelo menos enquanto bombear glóbulos vermelhos e brancos.

Belezura de texto. Deu até pra ouvir a música de fundo. Eu mesmo já deixei o CNC faz tempo. Mas, o CNC não deixa nem com a preula!
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