Por NEWTON MORAES
O torcedor é
movido a paixão. A emoção prevalece, quase sempre, sobre a razão.
Todos
nós que gostamos de futebol, nos consideramos grandes entendedores do assunto.
Eu, claro, também sou assim e, portanto, gosto de dar meus “pitacos”.
Antes
do início da Série B, a meta de qualquer torcedor do Náutico era escapar do
rebaixamento. Acontecendo isso, nosso objetivo estaria atingido. Mas os
resultados iniciais foram muito além do esperado, Lisca foi endeusado e o sonho
passou a ser o acesso ou, melhor ainda, a conquista do título.
Com
a piora nos números, a decepção foi grande, as cobranças aumentaram e Lisca
passou a ser questionado.
“Lisca
perdeu o comando do grupo. Ele já deu o que tinha que dar e tem que sair”, diz
um.
“Lisca
é burro: só ele não vê que Marino, Rogerinho, Hiltinho e Douglas não estão
jogando nada”, diz outro.
“Lisca
é treinador de time pequeno”, diz um terceiro.
E
por aí, vai.
Há,
ainda, aqueles que atribuem, de forma descabida e despropositada, a queda no
futebol do Náutico a um suposto complô da oposição, que estaria trabalhando
contra, passando informações falsas para a imprensa e tumultuando o ambiente
interno do Clube, porque não quer que o Náutico suba. Não sabem eles que cerca
da metade dos bichos que o Clube está pagando são bancados por pessoas que não
apoiam a atual gestão.
Minha
avaliação sobre a situação é a seguinte: a Diretoria de Futebol está de
parabéns, pois diante de nossas limitações financeiras, as contratações feitas para
a Série B foram criteriosas, com um alto índice de acerto. Para fins de
comprovação, segue a relação dos 17 contratados até o momento:
Goleiro
- Rodolpho;
Laterais
- Gil Mineiro e Lucas Farias;
Zagueiros
- Fabiano Eller, Ronaldo Alves e Rafael Pereira;
Volantes
- Marino, Willian Magrão, Caio Matias e Jackson Caucaia;
Meias
- Hiltinho, Rogerinho, Dakson e Guilherme Biteco,
Atacantes
- Douglas, Bérgson e Daniel Morais.
Apesar
de Caio Matias, Jackson Caucaia e Guilherme Biteco ainda não terem estreado e
Dakson, Bérgson e Daniel Morais não terem ainda jogado tempo suficiente para
que se possa ter a certeza de que vão ser úteis ao Náutico, as perspectivas são
boas. Em relação aos demais, pouquíssimos podem ser enquadrados como uma
contratação ruim. Na minha lista estaria apenas Rogerinho nessa condição,
apesar da queda acentuada no rendimento de alguns atletas, como ocorreu com Marino
e Douglas.
Faço
parte do grupo dos que manteriam Lisca Doido como treinador, apesar dele ser exageradamente
marqueteiro e ter muitos problemas no extracampo. O Náutico teve que montar
praticamente um novo time para a Série B, tanto que, dos titulares, apenas
Júlio César, Gastón Filgueira e João Ananias foram remanescentes do time que
terminou o campeonato pernambucano. E Lisca, sem dúvida, teve grande importância
na montagem da equipe. Gosto do seu trabalho de campo e não encontro, a essa
altura do campeonato, outro treinador que seja qualificado, esteja disponível e
aceite um salário compatível com a realidade do Clube. Fico à vontade para
externar isso, pois fui contra a sua vinda. Contudo, é preciso que a Direção do
Clube aja com firmeza para dar um basta nos desatinos que ele comete.
Embora
defendendo a permanência de Lisca, entendo que ele foi o grande responsável
pela nossa derrota no jogo contra o Criciúma. Entrou com o time errado,
improvisando, desnecessariamente, Gastón Filgueira como terceiro zagueiro e
Rogerinho (ou “Ruimgerinho”, como chamam alguns) como atacante. Nosso ataque
foi de uma nulidade total e ele demorou demais para mexer. Os dois lances de
maior perigo, por parte do Náutico, foram proporcionados por Daniel Morais (um
chute e uma cabeçada), apesar dele só ter entrado aos 30 minutos do segundo
tempo.
Assim,
apesar de não apoiar a atual gestão, costumo ser justo em minhas avaliações. E,
independentemente do que possa vir a acontecer daqui para frente, reconheço
que, mesmo com imensas dificuldades, o trabalho de nossa Diretoria de Futebol
tem sido extremamente positivo.
E
vamos todos continuar torcendo, fervorosamente, pelo nosso acesso à Série A.
Saudações
alvirrubras.

Sem Lisca... o Náutico estaria liscado!
ResponderExcluirNewton Morais é um alvirrubro exemplar. Apesar de todas as desconsiderações recebidas da atual diretoria, da qual foi decisivo cabo eleitoral, continua colaborando com o clube, liderando a arrecadação de contribuições para complementação de "bichos" ao nosso time. No entanto, com seu espírito conciliador, me parece muito condescendente com a administração do nosso futebol que tem que ser avaliada ao longo desses 20 meses de gestão. Afora, a grande façanha do vice-campeonato pernambucano em 2014, feito tão admirável quanto surpreendente pelas condições em que se encontrava o nosso clube, de lá pra cá colecionamos insucessos, culminando com nosso pífio desempenho no pernambucano deste ano, que nos valeu a desclassificação para a Copa Nordeste e Copa Brasil do próximo ano. Reconhecidas as limitações financeiras, registraram-se, contudo, os mesmos erros dantes cometidos e criticados: no período de 20 meses (janeiro de 2014 a setembro de 2015) tivemos nada mais nada menos do que 5 treinadores (sendo que Lisca, duas vezes) o que dá uma média de permanência de um treinador a cada 4 meses... Quanto aos jogadores, a lista de Newton está incompleta. Sem dispor na minha precária memória dos nomes de todos os que não deram certo (alguns nem chegaram a estrear...), e dos que foram contratados "baleados" ( o Rony está aí, lembram-se dele ? e o Darkson não consegue estrear - jogou apenas alguns minutos e.............baixou ao DM), lembraria apenas três centro-avantes, dos piores que já passaram pelo nosso clube: Tadeu, Josimar e o Stéfano Yuri - este, infelizmente, ainda conosco. Diante de tudo isso, realmente concordo com Newton: nosso grande objetivo no Brasileiro de 2015 era não cair para a série C. Diante dessas sombrias previsões, a campanha do Náutico - candidato até ao G4 - pode ser reputada de ótima. Antecipando que, para a maior parte da torcida, uma eventual volta à Série A, absolverá todos os erros cometidos.
ResponderExcluirCaro Newton,
ResponderExcluiro Cruzeiro tinha um dos melhores, senão o melhor, técnico do Brasil...
bi do brasileirão, final da Copa do Brasil...
vendeu todo mundo...
culpa de quem?...
ao invés de mantê-lo... reconhecer que o momento era outro... etc.
certo está o Náutico...
há boas chances de subir...
se, por acaso, não conseguir...
pelo menos já terá um bom técnico para 2016...
e bem mais experiente...
1 abraço.
Agradeço os elogios exagerados de Mestre Edgar e concordo integralmente com sua opinião a respeito da atual gestão do Náutico, mas faço os seguintes adendos:
ResponderExcluira) Meu texto abordou, exclusivamente, as contratações e o desempenho do Náutico na Série B. Assim, os atletas que vieram nesse período foram exatamente os que relacionei, não contemplando, portanto, os pernas de pau contratados anteriormente, tais como Tadeu, Josimar, Stéfano Yuri etc.;
b) Minhas divergências em relação às práticas dos atuais gestores, não ofuscam os possíveis acertos;
c) Lisca, ontem, errou feio, ao barrar Rafael Pereira - que tem se destacado e sido decisivo em quase todos os jogos em que atuou - e insistir com Rogerinho, que até pode ser ótimo jogador, mas o que tem demonstrado no Náutico é exatamente o contrário.