Por JOSÉ RENATO, MDM
João Batista Nunes de Oliveira nasceu em 20 de maio de 1954 na cidade baiana de Feira de Santana. Ainda com 13 anos se mudou para o Rio de Janeiro, onde ingressou nas categorias de base do Flamengo e passou a ser conhecido como Nunes.
Após 5 anos na equipe carioca foi dispensado e voltou para a Bahia. Desiludido com o futebol passou a atuar pelo Internacional da Serra da Carnaíba, equipe amadora do interior do estado. Teria dado termino a sua carreira, se não aparecesse, em 1974, a proposta para atuar na equipe sergipana do Confiança.
Aquela oportunidade mudou sua vida e embora não tenha conquistado o titulo sergipano daquele ano, seus gols atraíram a atenção do Santa Cruz, equipe que o contratou em 1975, e com quem foi semifinalista do campeonato brasileiro daquele ano, em um feito até então inédito e único para o futebol nordestino.
Conhecido como “Cabelo de Fogo”, conquistou seu primeiro título estadual jogando pelo Tricolor em 1976, quando começou a assumir uma característica que marcaria a sua carreira, desde então, o de marcar gols em decisões. Naquele ano, na final do campeonato pernambucano frente o Náutico, foi dele o primeiro gol da vitória por 2 a 0.
Passou a ser um dos grandes nomes da equipe pernambucana que fez ótimos campeonatos brasileiros, o que acabou lhe rendendo sua primeira convocação para a seleção brasileira, onde fez sua estreia em 12 de março de 1978, marcando um dos gols da vitória por 7 a 0 sobre um Combinado de jogadores do interior carioca. Chegou a ser convocado para as partidas de preparatórias para a Copa do Mundo daquele ano.
Seriam duas vagas, para quatro atacantes. Além de Nunes, havia Reinaldo, que seria o titular, Serginho e Roberto Dinamite. Com a suspensão de Serginho, após agressão a um bandeirinha em partida do São Paulo, aumentaram as chances de Nunes, que acabou sendo preterido pelo atacante vascaína. Sua carreira na seleção foi marcada por 8 gols em 13 jogos.
Após a Copa, acabou sendo contratado, junto com o companheiro de ataque Luis Fumanchu para atuar no Fluminense. No tricolor carioca teve uma mensagem meteórica com muitos gols, mas sem títulos, o que acabou causando a sua saída para a equipe mexicana do Monterrey em 1979.
Já em 1980, estaria de volta ao Brasil, mais especificamente na equipe onde começara, e que tinha o dispensado, o Flamengo. No rubro negro viveu seus maiores momentos e formou com Zico, uma dupla de ataque que marcou a história do futebol brasileiro.
Artilheiro implacável, costumeiramente marcava gols importantes, sobretudo, nas decisões, foi assim na final do estadual de 1981 contra o Vasco, nas finais dos campeonatos brasileiros de 1980 e 1982, frente o Atlético e Grêmio respectivamente, e no Mundial Interclubes contra o Liverpool.
Em 1983, após desentendimentos com a diretoria rubro-negra acabou sendo emprestado para o Botafogo. Logo estaria de volta ao Flamengo, onde continuou marcando seus gols, durante o ano de 1984. Ao final do ano foi contratado pelo Náutico, onde participou da campanha do título estadual em 1985, embora tenha sido contratado, ainda no meio da temporada, pelo Boavista de Portugal, e posteriormente, pelo Santos.
Após passar pouco tempo na equipe santista, voltou a ter certo destaque jogando na equipe do Atlético Mineiro, campeão mineiro e semifinalista do campeonato brasileiro de 1986. Suas atuações acabaram o levando novamente ao Flamengo, onde havia a expectativa de voltar a fazer a infernal dupla de ataque com Zico, o que acabou não acontecendo. Ainda chegou a ser campeão carioca da série B, jogando pelo Volta Redonda em 1987.
Artilheiro das Decisões, Nunes foi aquilo que todo torcedor sempre quis para o seu time, um matador que gostava de jogo importante, quase que uma garantia de conquista.
* O texto faz parte da série CRAQUES CURIOSOS

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