15 de jun. de 2015




Por ROBERTO VIEIRA

O Santos de Pelé tinha gerente.
E não era Pelé.
Era um gerente chato e de bigodinho.
Embora esse bigodinho fosse do tipo vai e vem.
Vai e vem que o dono do bigodinho fazia com maestria.
O Santos metia três gols?
O gerente exigia quatro.
O Santos metia cinco?
O gerente gritava que queria sete, oito.
Metade dos gols do Santos foram talento.
A outra metade pra atender ao comando do gerente do time.
Gerente que nasceu em Roseira e atirava espinhos em campo.
Gerente que sofria nas derrotas.
Gerente que era de um tempo em que gerente amava a camisa da firma.
Sem mentiras.
Sem jogo de cena.
Gerente que gritava diante da Cordilheira dos Andes:
‘Passa, Amarildo!’
Gerente que pulou no vazio de Santiago.
Alto como a neve no distante horizonte.
Desferindo a cabeçada mortal nas redes de Praga.
Pois o tal gerente – vejam só!
Também amava a seleção brasileira sobre todas as coisas.

Como amava o tal Santos de Pelé... 


2 comentários:

  1. Antonio (saudades...)15 de junho de 2015 às 17:06

    belo... belo... querido poeta Roberto.

    pra mim ele foi e sempre será o eterno Senhor Zito.

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  2. "Alto como a neve no distante horizonte", poesia pura, merecida homenagem. Grande Zito !

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Comentários