Por
ROBERTO VIEIRA
O Santos de Pelé tinha gerente.
E não era Pelé.
Era um gerente chato e
de bigodinho.
Embora esse bigodinho
fosse do tipo vai e vem.
Vai e vem que o dono do
bigodinho fazia com maestria.
O Santos metia três
gols?
O gerente exigia
quatro.
O Santos metia cinco?
O gerente gritava que
queria sete, oito.
Metade dos gols do
Santos foram talento.
A outra metade pra
atender ao comando do gerente do time.
Gerente que nasceu em
Roseira e atirava espinhos em campo.
Gerente que sofria nas
derrotas.
Gerente que era de um
tempo em que gerente amava a camisa da firma.
Sem mentiras.
Sem jogo de cena.
Gerente que gritava
diante da Cordilheira dos Andes:
‘Passa, Amarildo!’
Gerente que pulou no
vazio de Santiago.
Alto como a neve no
distante horizonte.
Desferindo a cabeçada
mortal nas redes de Praga.
Pois o tal gerente –
vejam só!
Também amava a seleção
brasileira sobre todas as coisas.
Como amava o tal Santos
de Pelé...

belo... belo... querido poeta Roberto.
ResponderExcluirpra mim ele foi e sempre será o eterno Senhor Zito.
"Alto como a neve no distante horizonte", poesia pura, merecida homenagem. Grande Zito !
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