13 de abr. de 2015




Por ROBERTO VIEIRA           


Galeano era um revolucionário.
Um revolucionário apaixonado pelos miseráveis do planeta americano.
Um revolucionário com o dom da palavra.
Um revolucionário que também amava a pelota.
Esquerdas e direitas, idiotas e sabichões.
Galeano se foi e nada disso importa.
Esquerdas e direitas, idiotas e sabichões concordam.
Eduardo Galeano navegou no Panteão de craques da escrita dos noventa minutos.
Palavras elegantes como Armando Nogueira.
Metafórico e hiperbólico como Nelson.
Memorialista tal qual Mario Filho.
Capaz de trocar um golpe de estado por um drible.
Galeano era futebol ao sol e à sombra.
Uma das mais soberbas aventuras literárias por este continente de contrastes.
Charles Miller e Garrinchas.
Guinles e Valderramas.
Cartolas, fraques e maradoninhas de pés descalços e fome nos olhos.
Galeano se foi e um minuto de silêncio se impõe pelos gramados, areais e mangues.
Andes, Amazônias, cerrados, incas, astecas e maias se ajoelham.
A pelota triste se quedou exangue.
Galeano se foi e choram as veias abertas do futebol... 

* Partiu o grande ídolo dos meus dezoito anos, o grande ídolo dos meus noventa minutos. Um dia imensamente triste para livros e para o futebol latino-americano... Um dia sem sol... apenas sombra.


0 comentários:

Postar um comentário

Comentários