22 de nov. de 2014




Por ROBERTO VIEIRA


Primeiro, a memória.

2013 foi a bancarrota.

O final de um modelo de gestão iniciado em 2001.

Um modelo que trouxe avanços ao clube.

Mas um modelo que exauriu suas virtudes.

De resto, como tudo na vida.

Segundo, o voto.

Democraticamente, milhares de alvirrubros votaram na oposição.

Nos únicos candidatos que representavam realmente uma mudança de paradigma.

Porque os sócios do Náutico estavam cansados.

Cansados de anos seguidos de promessas não cumpridas.

Cansados de 10 anos sem títulos.

Cansados do mesmo.

Não estou personalizando as culpas.

O regime é presidencialista mas ninguém dirige um clube de futebol sozinho.

Nem Eládio conseguia.

Terceiro, os jovens.

Pela primeira vez na sua história, o Náutico passou a ser comandado por jovens.

Jovens no sentido virtual da palavra.

Jovens no processo de assumir o poder e tomar decisões.

E ocorreram erros.

Erros que muitas vezes sufocaram os acertos.

Por uma nítida e clara falta de comunicação.

Muitas vezes, em vez de solicitar ajuda explícita, fecharam-se em si mesmos.

Erro típico de quem é jovem.

No futebol, imaginaram que o modelo de usar o time da base era um risco.

Risco imenso de sair perdendo e até mesmo cair para a Série C.

Quase foram campeões pernambucanos.

Cansaram de vencer o Leão.

Classificaram-se para o Nordestão.

Mas vieram as dívidas.

Dívidas multiplicadas pelo passivo monumental do passado.

Multiplicado pelo caos do rito de passagem.

Elevado a milésima potência de uma arrecadação esdrúxula.

Sócios, cadê?

A campanha de sócios foi pífia.

A comunicação - olha ela aí de novo - rareou com esse cara chamado sócio e torcedor.

Justamente quem ama com tanta paixão que perdoa os erros.

A situação se complicou.

A mídia fazendo seu papel de cravar o dedo nas feridas.

Mídia que também carece de comunicação com quem comanda o Náutico.

Por que eu digo isso?

Ora, bolas!

Pelo mesmo motivo que aceitei subir no barco que dizem estar afundando.

Primeiro, porque esse é meu barco.

Sem ele, o futebol vira jogo de peteca pra mim.

Segundo?

Porque existe muito trabalho nessa juventude que assumiu o Náutico.

Vejo muita gente trabalhando, dando seu melhor.

E trabalho, suor e dedicação são coisas muito valiosas para meus olhos.

Se me perguntarem hoje, mesmo debaixo de tanta pedra jogada em Jerusalém.

Eu direi que o Náutico vai sair dessa mais forte que antes.

Porque está formando novas lideranças, novos pensamentos, novas idéias.

O caminho antigo não tinha mais futuro.

O novo caminho não deve ser refém do passado.

E se me questionarem por que os alvirrubros votaram no MTA?

Eu que nuca fui nem sou do MTA.

Eu posso apenas responder lembrando os lusitanos... e com o coração nas águas que originaram o Náutico.

Porque navegar é preciso!

O Náutico precisa de quem ama o Náutico.

E quem ama o Náutico deve dar ao clube um pouco de si.

Juntos, somos imensos.

Juntos?

Nosso futuro é de glórias.

Mas é preciso grandeza em cada um de nós para trabalhar por nossa paixão.

Uma grandeza que implica em colocar o Náutico acima das vaidades.

Uma grandeza que implica em buscar consenso onde existem diferenças.

Uma grandeza sem a qual nenhum sonho pode se tornar realidade...












12 comentários:

  1. Entendo o seu papel, Roberto, e saiba que não é minha intenção jogar pedras. Apenas gostaria - como você e todos os alvirrubros genuínos - de algo concreto; preferiria perder dez partidas por Sport durante a competição, e na hora decisiva vencê-los, levantar o troféu. Pensar o contrário é surreal. Mas...

    Durante a campanha do MTA prometeram uma "gestão" pautada em contratações pontuais; pagamento dos salários em dias; uma gestão "revolucionária; outdoors, meu Deus, foram colocados na cidade!

    Agora, essa política do coitadismo (colocar a culpa de tudo nas gestões fraudulentas de PW e cia) comigo, não cola. Estou cansado. Muito foi dito e prometido. Nada do que prometeram foi cumprido. O América-MG, que perdeu 6 pontos no tapetão, pode ser o 4º... Este fato - isolado - já é vergonha para Náutico e Santa Cruz. O América/MG não é do grupinho seleto das verbas milionárias. O América/MG não deve aos seus funcionários. O América/MG não possui verbas oceânicas; nem o Atlético/GO, nem o Sampaio...

    Sou sócio, e torcedor do CNC. O que me importa é o CNC. Administrar da boca pra fora, fazer palestras com sliders e um projetor e planilhas e atacar todos os alvirrubros que ajudaram afundar o Náutico, é fácil... Falar e bradar é muito fácil... Perdão, caro Roberto, não é pessoal, pois eu estou e sou preocupado com Náutico, única e exclusivamente. Não se trata de jogar pedras...

    Quem se predispõe a assumir as rédeas de um clube centenário e glorioso como o CNC precisa ter coragem e competência. Coragem pra assumir os erros, tentar não cometê-los novamente, e vir a público expor a situação; coragem pra arrancar essa horrenda coleção de fracassos do nosso memorial; coragem pra dirigir o clube sem ficar colocando a culpa toda hora em administrações passadas. Não se contentar com pouco ou quase nada, (afinal, o grande mérito do MTA qual foi? Ter vencido o Sport na Ilha e na Arena, em clássicos que nada decidiam? )

    E competência? Qual é o projeto do MTA? O que foi prometido pelo MTA? As críticas de Gláuber Vasconcellos enquanto oposição estão na memória... Houve cumprimento dessas promessas, não digo de todas, mas pelo menos de 50% delas?

    O CNC sai deste ano fortalecido? O nosso CNC sofreu apenas pela inexperiência? A desagregação fortalece? Salários dos funcionários atrasados, do elenco fortalece? Ausência de diálogo com o consorcio da Arena, que pouco se dá ao trabalho de valorizar nós, sócios do CNC fortalece? Antecipação das já parcas receitas de 2015 fortalece? Foi isso o que o MTA prometeu? O oposicionista Gláuber concordaria com essa gestão? Onde o fortalecimento? Onde?

    Você escreveu: "primeiro, a memória."
    Tenho e sei que a maioria tem, na memória, todos os itens prometidos a torto e a direito pelo então candidato Glauber e o MTA. Tudo o que ele prometeu virou fumaça.
    Mais um a prometer, prometer, discursar pomposamente, e na hora h, apontar o dedo para as outras gestões como fonte da culpa dos fracassos que se avolumam e fazem do nosso CNC um clube cada dia mais desacreditado perante a todos.

    Sou sócio, rigorosamente em dia, e sinto-me no direito de externar meu profundo descontentamento com essa gestão que mais se preocupou em justificar onze meses de inércia, do que em tornar plausível o seu "plano de metas"...

    Obrigado, mais uma vez, pelo espaço.
    Att,
    Mário Mawad



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  2. Eu sei... Assim como o Santos - que outro dia você usou como parâmetro - também não é o Náutico.
    O Náutico é o clube onde ninguém tem culpa, exceto seus sócios e torcedores...
    Mário Mawad

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  3. De que adianta a culpa se a gente não tenta reverter os fatos com trabalho? Grande abraço!

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  4. É verdade, Roberto. Não quero me indispor com ninguém; só qeuria ver o CNC bem, numa situação mais avançada. É UM CLUBE IMENSO E ETERNO. Torço por todos vocês. E, nunca é demais repetir, obrigado pela chance do diálogo, ou pelo menos, pela oportunidade desabafar. Se o CNC me fosse indiferente, eu não estaria nem aí, mas jamais será. Minha parte continuarei fazendo, inclusive indo ao último jogo, contra Ponte. Nesse ano só deixe de ir a uns 5 jogos do nosso Timba, e ainda assim por motivos alheios à minha vontade. E continuarei indo e incentivando as pessoas a se associarem, e também expondo minha opinião. Oxalá eu posso voltar aqui para vibrar com títulos e conquistas.
    Abraço do
    Mário Mawad

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  5. Caro Mário, acho que devemos criar um horário no clube para ouvir opiniões importantes como a sua... mas temos que ouvir e coloca-las em prática. Porque tais opiniões estão cobertas de razão.

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  6. Roberto e Mário, essas opiniões contribuem muito para a recuperação do Náutico. A idéia de ouvir as pessoas, é muito salutar. Quando se estar no poder as críticas devem ser sempre ouvidas e mais assimiladas que os elogios.
    Roberto, todas das direções que passaram pelo Náutico reclamam do tratamento pela imprensa mas até ontem só faziam reclamar. A nota publicada hoje no site oficial, de maneira educada, firme e transparente, responde a matéria do jornalista Fred Figueroa, do DP. PARABÉNS!!!

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  7. Roberto, endosso as palavras do Geandre, a respeito da nota publicada em nosso site oficial que responde ao artigo do jornalista do DP. Parabéns!
    Obrigado, e estou à disposição! A qualquer hora, em qualquer momento.
    Obrigado e abraços
    Mário Mawad

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  8. Marcelo Lins diz:
    Antes de externar a minha forma de pensar, também esclareço que sou sócio patrimonial em dia com o clube.
    A primeira pergunta que te faço Roberto, é a seguinte:
    O MTA venceu a eleição com mais de 70% dos votos, hoje quanto seria o percentual de satisfação daqueles que votaram em Gláuber?
    Das pessoas que eu conheço, entendo que o percentual seria bem baixo, e isso deve ser motivo de reflexão pelos atuais gestores.
    O segundo aspecto, e aí é apenas a minha forma de pensar, sem ser o dono da verdade:
    Quando eu vejo apenas o macro, ou seja chegar em uma final de pernambucano e se manter na série B, me parece ser o normal de um clube que chegou esfacelado de 2013, porém entendo que devemos olhar o clube de dentro para fora.
    Me parece que as premissas básicas não estão sendo cumpridas por alguém que prega a gestão e a transparência.
    Funcionários que recebem 1.000,00 e só receberam o salário de agosto, e isso eu sei por perguntar a eles diariamente é algo que denigre nossa imagem e passa longe de ser o básico de harmonia em um clube.
    Sou testemunha pessoal, e posso enumerar pioras em diversos setores patrimoniais do clube.
    Um deles no parque aquático, em que faço natação no clube e piorou enormemente, inclusive em premissas básicas de limpeza.
    Então, os pequenos detalhes não demonstram essa eficiência que vc deseja passar no seu texto, e falo isso por frequentar o Náutico.
    Em 2010, vindo de um rebaixamento o CNC chegou bem mais próximo do título do que em 2014.
    O problema do Náutico, e concordo em quase tudo do texto de Fred Figueiroa( A imprensa deve falar, ou agora queremos criar a política do PT de inibir os textos da imprensa?) é os ataques que foram feitos no clube a pessoas que podem nos ser úteis. Posso citar diversos nomes.
    O que concordo com vc, é que o Náutico precisa das pessoas que amam a instituição, e nesse particular faz muito bem ao clube o trabalho da sua pessoa.
    Mas.....os que amam o Náutico, precisam ser acolhidos e não achincalhados de geração de perdedores nos últimos 40 anos.
    Os desonestos esses sim, precisam ser afastados.
    Pessoalmente não acredito no poder de aglutinação do atual mandatário do clube, e no discurso que me parece apenas de palavras soltas ao vento.
    Mas farei a minha parte como sócio e como colaborador que nunca me abstive de ajudar, pois como todos aqui amo o Náutico como algo importante em minha vida.

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  9. Mestre Marcelo, sou o primeiro a dizer que você está coberto de razão.

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  10. Marcelo, concordo com tudo que vc tem escrito nesse Blog. Frequento esse espaço desde 2007 e de tão democrático que é, chego a sentir falta dos rubro negros e tricolores que deixaram de frequentar o ambiente. Concordo com tudo que vc escreve e tenho conviccção q nas crítica ajudamos mais que nos aplausos.
    Roberto, sua intenção de reunir quem quiser falar sobre o Náutico é muito válida! Agende logo, que dezembro é curto!

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  11. Essa prática de jogar pedras no passado quando se assume algo importante, é uma forma marota de ganhar tempo. Todos os presidentes absorveram passivos.Uns mais, outros menos. A grande questão é que a prática dessa gestão não se coaduna com o discurso do MTA. Quando essa gestão bate no passado, fere de morte seu próprio discurso. Vamos raciocinar: se alguém chega a um clube com o nível de complexidade do nosso e encontra uma terra arrasada, mais motivos ele tem para agir com cautela. Pensar na base, observar com cuidado as contratações e trazer, como prometido, um patrocinador. O que foi feito? 48 contratações, três treinadores, folha atrasada e uma vergonha que a muito não sentia. O Náutico que vi na década de 90 e pensei que estivesse enterrado. O futuro chegou em Rosa e Silva na boca dos pregadores do MTA. O passado bateu em nossa porta na posse do MTA. Nada temos de novo. A prática é a dos piores gestores que passaram pelo nosso Náutico. Não vejo nada de alentador, meus amigos. Nenhum resultado, dentro ou fora do campo, me chamou atenção. Queria esquecer os resultados do futebol. Pra mim, nesse momento, não era o mais importante. Pensava na conduta, na forma de gerir, na travessia do velho para o novo, mas quando vi Mestre Roberto, como tantos outros, exaltar vitórias contra o nosso rival, fiquei mais inquieto. Será que vamos produzir um poster com o time que ganhou do Sport na Ilha? Deus me livre dessa vergonha.

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