Muita gente vai falar do Cruzeiro hoje.
Cruzeiro exemplar.
'Olha o exemplo aí!'
Tudo que os pernambucanos deveriam fazer.
Pode ser, mas é preciso esclarecer.
32% da grana dos clubes é proveniente de cotas de TV.
23% da transferência de atletas.
15% patrocínio e publicidade.
12% social e amador.
Apenas, vejam bem, apenas 10% da bilheteria.
Em Pernambuco no ano de 2015?
O Sport receberá acima de 50 milhões de reais em verba de TV.
Náutico e Santa Cruz receberão menos de 10% disso. Juntos.
Futebol implica em bipolaridade, no mínimo.
Minas tem dois clubes com cotas iguais.
Rio Grande, idem.
Paraná e Bahia também.
Pernambuco, não.
Criticar Náutico e Santa Cruz é fácil.
Observar a disparidade de verbas e a unilateralidade da situação, deixam pra lá.
Como não podem lutar no campo das cotas de TV.
Náutico e Santa Cruz buscam verbas de publicidade.
Verbas difíceis de obter pois a exposição na mídia é menor que a do concorrente.
Fim do mundo?
Não.
É arregaçar as mangas e trabalhar.
Trabalhar para revelar jogadores.
23% das verbas chegam por este caminho.
Quando o clube conseguir o acesso para a Série A?
Aproveitar o momento e investir na Base, poupar 20% da grana para o tempo de vacas magras.
Não desperdiçar o momento temporário de grana no bolso - uma parte do dinheiro deve ser poupado.
Cuidado com a Justiça Trabalhista!
Salários irreais, contratos mal feitos e dívidas com jogadores podem te arruinar.
Mas nada disso é novidade.
O trabalho com estes números foi desenvolvido por Amir Somoggi em 2013.
Os números me foram repassados por Mestre Newton Moraes.
Saídas?
O Internacional subverteu a lógica da televisão investindo nos sócios.
Internacional que estava aos cacos em 2000.
A união pela sobrevivência dos clubes?
Deve ser buscada na competência administrativa e na UNIÃO.
Trazendo quem é competente para ajudar a administrar a entidade.
Colocando gente que sabe ir atrás de patrocínio nas ruas.
Buscando o sócio de braços abertos para colaborar.
Sócio que ama o clube, ao contrário dos empresários da bola.
Sócio que deve ter toda facilidade do mundo para investir no clube - chega de guerrear com boletos.
Cultivando seus jovens valores na Base - ao mesmo tempo que se cuida de realizar contratos que assegurem os direitos do clube.
Mudando a imagem de clube mau pagador para clube que honra seus compromissos.
Duvida?
Impossível?
Pois tudo isso passa por seriedade, humildade e UNIÃO.
Porque, e raciocine da seguinte forma.
Se um Náutico inteiro ou um Santa Cruz inteiro já são difíceis de administrar.
Imaginem estes clubes pela metade...
Só não vá na onda do conto do Cruzeiro.
Pernambuco não é Minas Gerais...

Um recado para TODOS. Sobretudo para os que mais dele precisam...
ResponderExcluirMarcelo Lins diz:
ResponderExcluirRoberto, concordo com seu texto. O pior de tudo é que esses "times premiados" recebem o mesmo valor caso caiam para a série B, ganham um prêmio pela incompetência. Foi assim com o sport em 2013.
Apenas em Pernambuco e Goiás, um time é premiado por fazerem parte do antigo clube dos 13. Não é a toa que Sport e Goiás ficaram bem a frente dos rivais em seu estado. Aniquilaram até com o espírito de competição.
Entendo que uma das saídas para melhorar a cota seria se unir.
Náutico, Santa Cruz, Ceará, Paissandu, ABC, América MG, e outros que devem disputar a série B de 2015 poderiam se fechar e não aceitar ter seus jogos transmitidos por R$ 3.000.000,00 ano.
Em uma série B com Botafogo, Bahia e talvez Palmeiras a emissora teria que rever os valores. Penso que R$ 10.000.000,00 ano seria um valor justo.
Porém para isso seria vital não ter antecipado receita de 2015 da cota da tv.
Não sei se foi o caso do Náutico.....
E contar com o apoio dos sócios e mídia local.
O texto está perfeito, Roberto. Reflete exatamente o que penso. Nota 10.
ResponderExcluirMuito pertinente as observações de Marcelo, principalmente no tocante às cotas de TV dos times da Série B. E também espero que o Náutico não tenha antecipado parte de sua cota para o ano que vem.
ResponderExcluirSegundo o Wellington Araújo, hoje, no Assunto É..., do RJC, teria havido uma antecipação de 1 milhão dos 3 milhões a que teria direito. Si non e vero...
ResponderExcluirCruel é tb olhar para atrás e ver que um desses "pobres" coitados, no caso, os répteis, abocanharem três campeonatos seguidos. Isso estando nas Séries F, E, D e C. E nõs? NADA.
ResponderExcluirNewton Pinheiro
Não tem mais retorno! Nos moldes em que está sendo administrado o futebol no Brasil, não tem saída para o Náutico. Nem para o Santa Cruz. O feito do Santa Cruz, a conquista de três estaduais seguidos, pode até ocorrer outra vez, com o Santa, também com o Náutico. Pode acontecer. Mas não tem nenhum significado em termos nacionais. O mesmo pode acontecer com o América de Natal, lá no RGN, com o ABC, com o Ceará em sua terra. Com o Fortaleza, o Remo do Pará... Qualquer um desses, com as cotas que recebe da TV, chegando à Série A, vai lutar para não cair. E como são quatro (4) os que descem todos os anos, fatalmente estará entre esses quatro, num ano ou no mais tardar, no outro. Não há estrutura para competir com os de São Paulo, do Rio, de Minas, do RGS. Com o Goiás e com o Sport, também com os do Paraná. Isso não quer dizer que um deles, dos privilegiados, mal administrados, também não estejam sujeitos à queda (Botafogo, Vasco, Palmeiras etc). Mas logo voltam... Quando Náutico terá time, torcida (essa vai muchando a cada ano de jejum...), número de sócios, com Cruzeiro, Atlético, Inter, Grêmio, Santos, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, mesmo mal administrados alguns deles, com o Sport, o Goiás, os dos Paraná, todos abarrotados de dinheiros via TV? Jogador de base? A solução está na base? Nem pensar que vai fazer time assim da noite para o dia. Com orçamento baixo nem migalhas sobram, têm sobrado para a base... Time forte, competitivo, cadê a grana? Não vejo nenhuma saída para o Náutico. Repito: NENHUMA! Como não houve através dos anos, saída para o América Carioca, para o Bangu, como não está tendo para a Lusa. Como não houve para os inúmeros pequenos que desapareceram do mapa com o correr dos anos de profissional-capitalismo selvagem, como ocorreu com o São Cristóvão, a Portuguesa Santista (em 1938, os dois tinham jogadores de seus times na Seleção Brasileira que foi à Copa, Affonsinho era do S. Cristóvão e Tim, da Portuguesa de Santos!), com o Cruzeiro de Porto Alegre, o América do Recife, o Remo do Pará e tantos outros, clubes com história, com tradição e títulos em suas praças. O que mantém o Náutico de pé é seu patrimônio físico – os Aflitos e a Guabiraba. Pode ser isso uma esperança? Assunto para muita especulação, muita discussão e não sei se solução. Como? Quem para comandar o processo de redenção?
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