Por ROBERTO VIEIRA
Foi a imagem mais emblemática da minha geração.
Anos 80 crivados pelo pesadelo nuclear.
Guerra fria.
Uma segunda guerra que não chegava ao fim.
Muitos de nós acreditavam no socialismo.
Igualdade.
Embora ficássemos desconfiados daquele muro imenso.
Imortal.
Um muro dividindo famílias e amigos.
Mas muro no meio do quintal dos outros é refresco.
Até que o final dos tempos começou.
Os escravos do leste europeu romperam seus grilhões.
Mas pro lado errado, diria Karl Marx em seu Manifesto.
País após país derrubou seus ditadores.
Romênia, Hungria, Bulgária, Tchecoslováquia.
Alemanha Oriental.
E minha geração ficou ali diante da televisão.
Boquiaberta.
Os jovens que viviam sob o paraíso socialista queriam LIBERDADE.
E a LIBERDADE estava do lado de cá do muro.
Juro.
Tive certeza que o monstro comunista iria ser definitivamente expurgado da humanidade.
Só não contava com a amnésia coletiva.
Terrível amnésia que leva a humanidade a repetir sua helicoidal da catástrofes.
Mesmo depois de provada e comprovada a falência dos sonhos e delírios autoritários.
Vinte e cinco anos depois.
Tem gente que ignora a queda do muro.
Tem gente que ignora até mesmo o muro.
Tem gente que é capaz de botar em pé de novo a estátua de Stálin.
Como diria o poeta no frevo... é de fazer chorar!

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