Por VALDIR APPEL, MDM
Nos velhos tempos, um jogo de futebol se resumia a 90 minutos de
bola rolando. Só por um acidente de percurso um juiz acrescentava algo.
Tive o prazer e a honra, e principalmente a sorte, de ao longo de
alguns anos dourados, ter à minha frente, postados, zagueiros que impediam a
maioria dos chutes adversários.
Talvez, e mais por isso, eu tenha sido um goleiro razoável.
Corro o risco de cita-los e acabar esquecendo de alguns.
Mas a primeira zaga vascaína que me protegia: Brito e Fontana,
merece destaque pelo comportamento em campo, nos momentos decisivos da partida.
Inúmeras vezes, ouvi as palavras de ordem dos xerifes da zaga,
atentos ao placar eletrônico do Maracanã, aos demais colegas:
-Gente, 42 minutos, o jogo acabou.
Raramente tomamos um gol de empate, no que hoje seriam os
acréscimos, e muito menos levamos uma virada no apagar das luzes.
Os minutos finais eram para garantir o placar, e todos os recursos
eram usados para segurar o resultado favorável. Da cintura para baixo, dos
adversários, tudo era canela.
Os jogadores, a maioria, não tinham a mínima ideia do que a
palavra fair play significava. Acho que ela sequer era conhecida nos campos
tupiniquins.
Jogador adversário contundido era, quando muito, carregado e
jogado à beira do gramado, onde recebia uma ducha de agua fria do cantil do
massagista, um gelol na canela sem proteção e um tapinha nas costas.
No último sábado, o Flamengo derrotava o Sport na Arena
pernambucana. Dois a zero com o tempo pralá
de Marrakech.
O palco hollywoodiano de exibição, com arquibancadas
coloridas em vermelho e preto, um tapete verde sem pregas onda a bola rola sem
montinhos artilheiros, que não permite erros de fundamentos de jogadores com
pedigree.
É um “luxo” para o
maestro na lateral demarcada. A ele cabe o empurrão com o aceno das mãos para o
lado oposto da sua baliza.
É lá, no campo do adversário que os seus jogadores devem
reter o balão de couro, e gastar os últimos minutos da partida, os acréscimos,
tocando bola, até o apito final do árbitro. Infelizmente, para isso, falta o
craque, que decide, que comanda a orquestra dentro do campo. O que temos por aqui
são Jogadores no estertor de suas carreiras, jogando um futebol melodioso e
triste, patativas que já não marcam territórios.
Menos mal para o torcedor, que já não abandona mais o estádio
nos minutos finais e nem nos acréscimos, as constantes viradas dão a certeza de
que realmente a esperança é a última que morre.

Muito bom seu comento.ário. Sua opinião é muito importante nos dias de hoje. Parabéns Xic
ResponderExcluirÉ do folclore do futebol a sentença (não sei se de Vicente Matheus): "o jogo só acaba quanto termina". Gozado é ouvir os "professores" justificarem: "levamos o gol muito cedo e isso abalou a nossa equipe" ou, ao contrário, "levamos o gol no final quando já não havia tempo para reagir". O futebol e suas contradições "que nem Freud explica". Mas VAldir, que foi protagonista e é escriba dos bons, aqui está para nos relatar tudo o que - observador privilegiado porque também participante - viu e sentiu nesse cenário tão rico de emoções, no qual coexistem, a um só tempo, a comédia e o drama.
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