POR ROBERTO VIEIRA
O velho profeta barbudo multiplicava os peixes. Com seus discípulos fiéis, o manifesto comunista nas mãos, o discurso raivoso contra tudo e contra todos, o velho profeta falava de um reino novo que estava por vir enquanto distribuía os peixes.
A população faminta recebia os peixes e matava a fome. As palavras escorriam por seus ouvidos e não provocavam nenhuma reação, exceto a doce submissão ao profeta.
Os inimigos moravam nas cidades em casas opulentas e repletas de vinho e néctar. Eles eram os donos do poder e deveriam pagar no futuro pelas suas iniquidades.
O peixe era bom. Alguns famintos queriam provar também o pão, mas o pão ia todo para o profeta barbudo.
Organizou-se o exército. Milhares de homens pereceram nesse dia. Multidões de famintos e habitantes da cidade. Ao cair da tarde, o profeta era dono e senhor de tudo e de todos. Foi saudado como soberano e senhor de todas as terras e Pai dos Pobres.
O outro dia nasceu, e mais um e mais outro. As pessoas queriam peixe, mas peixe já não havia. Não havia mais o profeta passeando pelos campos e exortando os famintos a lutarem contra os habitantes das cidades.
Chegou a notícia.
O profeta agora habitava o mais suntuoso palácio da mais bela cidade do país. Meditava sobre política saboreando vinho e néctar. Seus discípulos ocupavam as demais mansões. Gordos e sonolentos em suas cadeiras de ouro.
Foi então que, finalmente, uma criança perguntou ao pai:
'Pai, onde estão os peixes?'
E o pai entendeu que o profeta e seus discípulos nunca ensinaram o povo faminto a pescar...

Roberto ainda não engoliu a derrota e sequer parabenizou os vencedores. Saber perder é bonito, Roberto.
ResponderExcluirMelhor ainda é saber ganhar, Carlos...
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