14 de out. de 2014





Por ROBERTO VIEIRA

A democracia tem uma virtude imensa.
Ela é a expressão da liberdade do ser humano escolher seu próprio futuro.
Não importa se alguém vota diferente de mim.
O importante é a liberdade de votar.
Liberdade que os cinquentões sabem ser fundamental.
Cinquentões que cresceram sem poder abrir a boca.
Mas a democracia para ser a real expressão da liberdade necessita da verdade.
Verdade que é a primeira a morrer nas guerras e nas eleições.
Como diria o jornalista Boake Carter.
A propaganda a favor e contra os nordestinos é singela.
O Nordeste vota no PT.
Será?
O PT ganha em Teresina, São Luís e Fortaleza.
Empata em Salvador e Natal.
Perde em Recife, João Pessoa, Maceió e Aracaju.
O grande triunfo do PT se localiza no interior da região.
Entre as pessoas que mais dependem dos programas assistenciais.
Entre as pessoas que se sentem inseguras com a mudança de governo.
O fenômeno não é ideológico.
O fenômeno é de sobrevivência pura e simples.
Mesmo quadro do tempo em que se distribuíam tijolos e comida em troca de voto.
Em tais lugares, com a mesma força da ARENA nos anos 60 e 70.
O governo ganha as eleições despreocupadamente.
Nas capitais, lugares em que os nordestinos podem sonhar com uma vida melhor.
Lugares em que conseguem deixar para trás a lógica perversa do bolsa-família.
Em tais lugares, o Nordeste também sabe dizer não.
O mais triste em relação ao PT e aos seu passado idealista é exatamente este fato.
Tal qual a ARENA no governo militar.
O PT se sustenta nos grotões onde o bolsa-família alimenta sem libertar.
Faz de conta sem ensinar a pescar.
Mesmo assim, o mais importante é que podemos concordar e discordar.
Votar em A, B, C ou Z.
O mais importante é a liberdade.
Porque onde existe liberdade sempre existe a esperança de um amanhã mais justo.
Um amanhã onde o povo caminhe pelas próprias pernas.

Sem necessidade de dizer amém aos homens no Poder... 


3 comentários:

  1. Ótima explanação, Roberto. Muito equilibrada, serena, ponderada. O eleitorado do PT e do PSDB não pode se deixar levar por radicalismos, iras, como tem acontecido.

    Particularmente estou com Dilma, por razões ideológicas e filosofia de vida, visão de mundo. Cada um tem a sua. Entretanto, não concordo com o vale tudo eleitoral, a radicalização da campanha. O PT, lamentavelmente, aplica hoje o mesmo veneno do qual foi vítima no passado, quando Collor e depois o PSDB (em 1994 e 1998) criaram uma indústria de boatos e mentiras para desconstruir a figura de Lula, taxando-o de analfabeto, ignorante, sapo barbudo, terrorista, candidato do medo, assassino do Plano Real, ... Lamento que o PT hoje faça uso dos mesmos expedientes condenáveis que aprendeu com Collor e os tucanos. Esse ranço existente entre os partidos, esse rancor que vem desde 1989, me lembra muito a relação de Dunga com a imprensa, visto que o treinador não consegue superar os duríssimos ataques que recebeu no passado, e, volta e meia, vive se estranhando com profissionais do setor.

    Concordo com você que a liberdade de escolha é, de fato, a maior beleza desse processo. A gente vota em quem acredita, optamos pelo projeto que nos parece ser o melhor, mesmo que não seja. Todos estamos sujeitos ao erro, ou acerto. O mais importante disso tudo é o respeito à vontade alheia.

    Seu texto está irretocável, integralmente. Só pondero que o Bolsa Família foi concebido não com a ideia de criar uma legião de dependentes, mas como um incentivo para que as famílias carentes mantenham os filhos na escola. Ocorre que uma parcela dos beneficiários deturpou a essência do projeto - que, volto a dizer, não foi criado com esse fim -, acomodando-se com a situação e até tendo mais filhos. Apesar desse fato, é um programa social importante, "menina dos olhos" de 11 entre 10 candidatos. Defendido inclusive pelo candidato que terá seu voto. O que se faz necessário é ajustes no programa. A(O) Presidenta(e) eleita(o) terá pela frente um grande desafio: encontrar mecanismos que inviabilizem a descaracterização do programa por parte de uma parcela de pessoas que fazem dele meio de vida. O governo não pode ensinar a pescar quem não quer aprender a pescar. Conscientizar essas pessoas da importância do trabalho é o grande desafio.

    Grande abraço a todos e votem com sua consciência, sempre respeitando a escolha alheia.

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  2. Irretocável o texto.E excelente o comentário de Bruno,ponderado e respeitoso,coisa que falta aos atuais governantes,mais preocupados em desconstruir o adversário,não admitindo o sucesso de projetos feitos por quem não é aliado.

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  3. Parabéns aos autores de ambos os textos. Prova de que a internet pode ser fórum de debates civilizados, mesmo quando há eleitores com preferências divergentes...

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Comentários