17 de ago. de 2014




1º de julho de 1929.

Ninguém lembra.

Rosa e Silva era senador da República.

Antigo vice-presidente do país.

Faleceu no Rio de Janeiro antes do crack da Bolsa.

Antes do final da sua própria República, velha.

Dez dias depois, os restos mortais chegam ao Recife.

A multidão se precipita para o adeus - um tanto distante de quem era mesmo Rosa e Silva.

Pois líderes políticos e povo ainda eram abstração neste país.



Abstração que desapareceu no ano seguinte.

Confeitaria Glória.

João Dantas assassina João Pessoa.

Recife e o Brasil se deparam com a tragédia.

A Paraíba recebe seu líder em guerra.

A República Velha tem seus dias contados.

Como os restos mortais sendo homenageados até chegarem na capital paraibana.

Com reflexos no assassinato do pai do futuro escritor Ariano Suassuna.

Ali, Pernambuco conheceria o primeiro ato das mortes inesperadas.

Bruscas.

Interrupções na linha do tempo.

Prova inconteste do poder do tempo sobre o humano.

Humano que concede nova chance a Agamenon Magalhães nas eleições de 1950.

Agamenon que parecia refém no Estado Novo.

Agamenon que vence.

Porém, morre no dia 24 de agosto de 1952.

Causando comoção popular durante seu enterro.

 Antecipação do enterro de Getúlio, em 1954.

Anos que se passam.

Marcos Freire é jovem e esperança do MDB/PMDB.

Freire que participa na queda da Ditadura.

E parece candidato certo para as eleições presidenciais de 1989.

Mas havia o aeroporto de Carajás.

Sul do Pará, 19 horas.

O Hawker Siddeley decola e cai em dois minutos.

A cidade recebe os restos mortais de Freire no cemitério de Santo Amaro em choque.

Ministro da Reforma Agrária.

Teorias da Conspiração no ar.



Difícil saber onde termina o homem, o político, o estadista, a figura pública.

Onde começa o destino.

Onde a história é escrita pelo DNA.

Onde a história é escrita pelo imponderável.

A morte e a política convivem em Pernambuco nos últimos 85 anos.

Rosa e Silva, João Pessoa, Agamenon, Freire e Eduardo Campos desapareceram antes do seu último ato.

Rosa e Silva, escapando de um mundo em transformação.

João Pessoa, catalisando as transformações deste mesmo mundo.

Agamenon, retirante antes do débâcle do seu líder maior.

Freire e Eduardo na curva ascendente de suas biografias.

Como sempre, no rastro deste adeus, existe uma pergunta em cada um dos pernambucanos:

o que vem depois da tempestade e das lágrimas?

Rio, mar ou deserto?






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