22 de ago. de 2014






POR ROBERTO VIEIRA

O Facebook foi criado no dia 4 de fevereiro de 2004, lá se vão dez anos e pouco. Tudo começando como brincadeira de Mark Zuckerberg e amigos na Universidade de Harvard. A brincadeira virou coisa de bilhões de dólares e milhões de usuários.
E terminou com o amor de muita gente...

Havia o celular que já atrapalhava um pouco a conversação nos restaurantes. Mas dava pra desligar pois a paixão falava mais alto e o silencioso quebrava o galho. Havia também o ORKUT, rede social insuportável para quem não participava e achava aquilo tudo um saco. A galera ficava com ciúmes do tempo que elas/eles passavam debruçados naquela rede social.
Só que não era tanto que não restasse tempo para uns amassos.
Claro que rolou o Blog e as atualizações do Blog de muita gente boa. Blogs escritos pra meia dúzia de amigos – se tanto. Blogs que eram deixados de lado na primeira esquina por outros Blogs.
Independente do Facebook, todas essas redes e sites já traziam o ócio criativo ao coração de oito entre dez casais. Noites em claro gastas na digitação de páginas infinitas da internet tomando o lugar daquele velho jantar nas sextas-feiras ou do passeio de mãos dadas nas praias ou ruas do planeta.
Tudo começando devagar e suavizando as relações na calada da noite. E do dia também.
Terreno pavimentado, pântanos ortodoxos drenados, veio o Facebook com gás e velocidade máximos. Acompanhados de uma nova geração de smartphones infernais, plantaram-se nas mãos e mentes encaracoladas do ser humano de modo similar ao do advento do milk shake e das batatas fritas.
Era uma vez o amor!
Os mortais se lançaram na busca de amigos antigos perdidos na escuridão do passado – a maioria deles perdidos por bons e ótimos motivos. Outros se tornaram amigos de quem nunca haviam visto mais gordos, apenas porque eram amigos de outros amigos do Facebook. Segredos eram revelados nas páginas do aplicativo, fotos da infância, da adolescência, da velhice, do café da manhã, do almoço, da caipirinha, fakes, make ups, mentiras, verdades e viedotapes.
O Facebook teve filhos. O Instagram e o Whats app, verdadeiras maravilhas da criatividade humana a serviço da socialização a distância – se é que pode existir socialização a distância.  
Os filhos assombrados assistiam seus pais mergulharem em profundezas mais profundas que aquelas dos famigerados videogames, bestas feras de qualquer discurso paterno/materno do século XXI. Laptops desaparecendo na furiosa disputa de espaço na família contemporânea.
Breve intervalo.
Um casal e seus dois filhos sentam na mesa da pizzaria onde eu escrevo estas linhas. Os quatro tiram o celular do bolso e navegam na internet. Durante meia hora, nenhuma palavra é dita na mesa, exceto o pedido da pizza ao garçom. Dedos se multiplicam nas mensagens. Alguém tira um selfie.
Comem, pagam a conta e se retiram. Mudos e mergulhados no celular.
Claro... tudo é dialético. Um dia, quem sabe, as pessoas vão descobrir que o ser amado foi embora apaixonado por outro ser amado – geralmente de origem virtual. Nesse momento, depois de passarem anos chutando o balde da infidelidade conjugal, pode ser que considerem que já nem lembram o nome da pessoa com quem viviam. Ou mesmo a cor dos olhos. Ou mesmo do primeiro beijo.
E quem sabe nesse instante derradeiro, estas pessoas voltem a se encontrar e se apaixonar.
Onde?
Ora bolas, meus queridos internautas!

Nas páginas do Facebook!


Um comentário:

  1. Sem nenhuma contestação a suas considerações, formuladas com a acuidade sociológica de um observador atento da realidade contemporânea, eu diria apenas que, para os da "quarta idade", reclusos a suas residências, seja pelas dificuldades de mobilidade geral, sejam por limitações pessoais, as comunicações via internet - e-mail, facebook, blogs etc - representam uma intensa "relação social" que lhes enche a vida de interesse. Sem o que estariam condenados a um isolamento que lhes apressaria a degeneração mental. Para esses, Mestre Roberto, esses relacionamento, mesmo que virtuais, são - sem exagero - um forte e bendito estímulo para a manutenção do ânimo vital. No mais, de pleno acordo.

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