4 de jun. de 2014





Quando Roberto Burle Marx chegou a Recife.
O Santa Cruz era tricampeão.
Jogava-se por amor à camisa.
As tardes eram de calma e brisa.
O verde, porém, quedava no mar e nos coqueiros.
Nem na bandeira havia verde.
Burle Marx tinha 25 anos.
Arregaçou as mangas e foi pintando.
A Praça do Derby aqui.
A Praça de Casa Forte ali.
A Praça do Internacional acolá.
Para zanga de Mário Melo:
“O Recife está a virar floresta!”
Mário Melo que gostava do concreto.
O verde virou tema de batalha.
Batalha vencida por Marx, Cícero Dias e Gilberto Freire.
O Recife viu-se banhado em fontes e vitórias-régias.
De Dois Irmãos ao Entroncamento.
Burle Marx que torcia pelo América.
Porém assistiu o Recife vermelho e branco em 1934.
A gente fica pensativo.
O Recife antigo se dava ao luxo de empregar um Burle Marx adolescente.
Para pintar de verde suas ruas.
Enquanto hoje.
Contrata Niemeyer para pintar de verde as ruas.
Quando Niemeyer é feito de concreto Mário Melo.
Niemeyer que é o gênio das curvas pétreas.
Enquanto Burle Marx era o gênio da natureza perdida.
Há 20 anos partia o mitológico Roberto Burle Marx.
Paulista de nascimento.
Filho de pernambucana.
Alemão por paternidade.
Burle Marx que ajudou a desenhar o Recife amado.
Tantas vezes esquecido e dilapidado.
Tão esquecido.
Quase um jardim secreto...

NOTA DO BLOG - HÁ 20 ANOS DESAPARECIA BURLE MARX


Um comentário:

  1. Para quem se interessar sobre a contribuição de Burle Marx aqui no Nordeste, há uma obra interessante "Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil. O livro, organizado pela Professora Ana Rita de Sá Carneiro, Aline de Figueirôa Silva e Joelmir Marques da Silva, foi publicado Editora Universitária UFPE.

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