Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu
por si na cama transformado num gigantesco inseto.
Kafka
viveu num gueto espiritual.
Procurando
um ponto sem retorno.
Pois
um ponto sem retorno é tudo que devemos ansiar.
Kafka
que acreditava na beleza como fonte da juventude.
Embora
ficasse solidamente lembrado.
Como
o homem do processo e da metamorfose.
Kafka
que sonhava libertar o homem.
E
ficou famoso pelo inseto.
Kafka
que visualizou o totalitarismo.
O
homem julgado sem saber por quê.
O
homem subtraído pelo Poder desconhecido.
Kafka que faleceu tuberculoso.
Como
nossos poetas Castro Alves e Cruz e Souza.
Pois
o navio negreiro é humano.
E
todo homem é escravo em sua própria liberdade...

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