Por ROBERTO VIEIRA
A Alemanha em 1938 era assim.
Uma bomba envolta em cultura e Goethe.
Wagner e cristais.
Cristais que voaram na noite do dia 9 de novembro.
Freud afirmava que a inteligencia é nossa única defesa diante dos instintos.
Inteligencia vinda da cultura e do auto-conhecimento.
Pois, pois.
A nação mais letrada do planeta explodiu lojas.
Matou pessoas.
Internou milhares em campos de concentração.
E levou um fanático ao poder total.
E essa população não era a de Abreu e Lima.
Freud que também dançou na chapa quente alemã.
Também dava soberbo valor ao intelecto.
Mas reações de saques e violência não estão ligadas ao poder intelectual das massas.
Massas são massas, como já afirma o termo.
O ser humano em grupo é um perfeito idiota da coletividade.
A coletividade trucida o senso crítico do indivíduo.
Otelo sucumbe ao bla bla bla de Iago.
E dane-se Desdêmona.
Agora peguem esses imbecis da coletividade e borrifem pensamentos como este:
'O guerrilheiro urbano só poderá viver se estiver disposto a matar todos os policiais...'
Frase do poeta baiano Mariguella.
Ou, então:
'Que sorte para os ditadores que os homens não pensem!'
Essa é de Hitler.
Saques e massacres ocorreram na Alemanha.
O rei Leopoldo, da Bélgica, mandou cortar a mão de alguns milhões de congoleses.
Ingleses assassinaram crianças irlandesas.
Detroit, 1967.
Quando nos saques e conflitos morreram tantos quanto agora em Pernambuco.
O povo... muita gente abre a boca e grita 'o povo'
O povo, seja ele culto ou inculto, é uma grande Maria vai com as outras.
Moisés descobriu isso.
Tiradentes e Frei Caneca, idem.
Jesus sofreu deste mesmo povo, o castigo de Barrabás.
Não adianta espanto.
Olhos arregalados.
O povo adora o bezerro dourado.
O povo segue a farra do boi.
Poucos prestam atenção no sofrimento que causam.
Um rouba.
O outro observa se ninguém vê e rouba em dobro.
E a sociedade afunda rapidamente de volta às cavernas.
Cabe ao Poder Público, a chibata.
A prisão.
Muitos defendem a educação.
E eu também acho educação fundamental.
Mas educação com palmatória e tacape do lado.
Pena que no Brasil - e aí nós somos decacampeões mundiais.
Palmatória e tacape é pra filho de pobre.


Compartilhado por mim, esse lapidar texto de Roberto está repercutindo para além deste Blog. Merecendo maior divulgação.
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