Nunca pensei escrever isso.
Mas essa Copa é um detalhe.
Como as Copas de 1938 na França.
Quando o mundo já estava em guerra e não queria admitir.
Ou em 1978, na Argentina.
Quando montoneros e ditadura fizeram um breve armísticio.
O Brasil está mergulhando na selvagem escuridão política.
Dos que anseiam pelo Poder, independente das perdas e do caos.
Manobras por baixo do pano.
Corrupção desenfreada.
O povo reeducado na máxima de que tudo vale.
Se a grana não é pequena.
O amado Brasil não merecia isso.
Brasil que deveria ser a terra da paz, do amor e do trabalho.
Pra que imitar Cuba, Bolívia, Venezuela e China?
Pra que promover badernas, saques, fogueiras?
Pra que sonhar com desembarque de marines?
A resposta é uma só.
Pelo Poder.
Para uns, uma vingança de 1964.
Para outros, reedição.
Pra camarilha toda, por um gostinho de transformar a casa grande em senzala.
Para poder libertar novamente os escravos.
Para dizer... nunca antes na história deste país!
Só que já não existem Forças Armadas.
Elas foram desmilitarizadas, subtraídas, subnutridas e infiltradas.
Não que eu desejasse Forças Armadas.
Mas acontece que no centro da fogueira e do caos.
Não existe mais nada.
O Brasil irá afundar em plena Copa do Mundo rumo ao desconhecido.
Um desconhecido onde tudo poderá acontecer.
Mortes, violência, golpe de estado, cubanização, militarização, divisão em coréias.
Um desconhecido onde a Copa do Mundo será exibida em ficção científica.
Com estádios e gols.
Cercados por pedras e barbárie.
Dilma lucra com isso?
Lula?
Eduardo Campos?
Aécio Neves?
Eles podem até pensar que sim.
Mas a história revela que não.
Danton, Robespierre, Marat e Luís XVI dançaram na chapa quente.
Quem semeia ventos.
Colhe tempestades.
E nas tempestades, muito cuidado com as palavras, meus amigos.
Palavras, promessas, siglas, discursos são território infiel aos homens de bem.
Pois segundo Shakespeare:
'O Diabo sabe citar perfeitamente as Escrituras quando lhe convém...'


Os americanos chamam essa sua crônica de "sobering". De fato, o desconhecido mora ao lado no Brasil de hoje. Talvez Gabriel Garcia Marquez se estivesse vivo pudesse escrever a história surreal desse país nos próximos anos.
ResponderExcluirCrônica de uma morte anunciada.Um governo que acha que um programa assistencialista pode mudar o mundo,sem investimento em educação e saúde,tem agora que enfrentar todo esse tumulto,que só prejudica as pessoas de bem.
ResponderExcluirA imagem de uma criança e de um idoso carregando uma televisão após o saque em Abreu e Lima é o retrato fiel desse quadro...
Marcelo Lins diz:
ResponderExcluirO Yuri, jogador do Náutico, deu uma entrevista muito boa hoje na rádio sobre esse momento de Pernambuco, citou que viu uma senhora de cerca de 70 anos na tv saqueando uma loja, e relatou: As pessoas deveriam proteger as pessoas...
Estamos hoje todos reféns, do medo e da insegurança.
De fato, o pós copa pode ser obscuro, espero que o outro Brasil que vem aí citado em prefácio por Gilberto Freire em 1926 seja realmente suas palavras:
" É assim que eu quero o Brasil", mais tropical, mais fraternal, mais brasileiro...
Será?