Se alguém
perguntar a um admirador da boa música clássica qual o primeiro nome que vem à
mente ao se mencionar a Orquestra
Filarmônica de Berlim, com certeza dirá o Herbert von Karajan, seu maestro
por 27 anos. Repetindo a pergunta, agora a qualquer mortal, sobre a Apple, de 10 perguntas 10 respostas
serão Steve Jobs. Para não melindrar outro grupo, a pergunta sobre a Microsoft terá como resposta, sem
dúvida, o Bill Gates. Três gênios. Três estrelas de primeiríssima grandeza.
Agora façamos
a mesma pergunta sobre um segundo, terceiro e quarto nomes. Poucos serão
capazes de responder.
Von Karajan e
Jobs, para ficar só nesses dois, não conseguiriam chegar onde chegaram
sozinhos. Sob a liderança de ambos havia uma equipe, um time também de gênios
que, entretanto, não eram A
estrela como seus líderes. Se um dia uma estrela periférica qualquer quisesse
ter mais brilho que seu líder naturalmente buscaria uma constelação própria ou
seria apagada rápidinho. O reconhecimento público do sucesso é dos dois. Justo,
porque um excelente time com um fraco comandante se tornaria o retrato do seu
próprio líder.
Já nos
esportes coletivos, e no calor do momento da seleção brasileira de futebol, a
coisa se inverte. Temos um time de estrelas de primeira grandeza e de alta
popularidade, à parte a opinião de alguns, comandado por uma estrela de menor
grandeza, sem aqui tirar o seu valor e competência.
São estrelas
exaltadas por quase tudo e todos e geralmente com a vaidade sem tamanho e um
ego maior ainda. Se fizermos a mesma perguntinha lá do começo sobre as seleções
de 1970, 1994 e 2002, ficando só nas últimas 3 campeãs, vai dar Pelé, Tostão,
Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, entre outros. Os técnicos pouco serão lembrados.
É muito
difícil liderar uma equipe de estrelas de primeira grandeza. Felipão sabe
disso. Não à toa sua “Família Scolari” é
uma constelação que sabe comer no mesmo prato e respeita esse estilo de ser. Os
nomes escolhidos (faço
questão de ressaltar) por Felipão não são apenas pelo futebol que jogam, mas
pela certeza que ele tem que todos saberão sentar à mesa. Digamos que há um
pacto de bom comportamento para um objetivo comum de curtíssimo prazo. Um
parêntesis, acredito que essa família explode se for um tempo longo de
convivência contínua.
Chegamos ao
nosso Lisca. Ele e sua ex-equipe de jogadores, óbvio, não são estrelas de
primeira grandeza, talvez um ou dois tenham um brilhozinho insípido lá longe,
interpretam um enredo muito pior! Todos acham que brilham e se comportam como
tal. Como verdadeiras galáxias. Assim são 99,9% dos jogadores e técnicos.
Infelizmente, fora de uma seleção, os técnicos de futebol não podem observar se
um jogador se porta bem à mesa. Então vai
precisar de muita competência para lidar com essas estrelas, verdadeiras
ou não. Os técnicos não podem/conseguem
sair por aí querendo apagar tudo que é estrela mal comportada. E Lisca,
ao que tudo parece, levou nota baixa no seu estilo de liderar. Suas entrevistas
denotavam insegurança e necessidade de afirmação. Sem falar da incoerência em
alguns momentos. Seus bate-bocas com a imprensa e Neto Baiano mostraram falta
de preparo. Faltou-lhe experiência, mas teve também méritos e que não podemos
esquecer. Lisca, um conselho: é beijinho no ombro* e tchau, tchau! Boa sorte!
* Para os não iniciados na filosofia da
Valesca Poposuda, “beijinho no ombro” = desprezo; estou nem aí.

Excelente texto do mestre Harold. Parabéns.
ResponderExcluirUm abraço pelo excelente artigo, caro Harold. Pelo tratamento dado ao tema e sobretudo pelo texto bem escrito. Um pouco antes, tinha lido de um jornalista espanhol a citação que segue: "... un hombre que algo sabe de este deporte dijo una vez que “ningún jugador es tan bueno como todos juntos”. Esse homem que sabe tudo de futebol é ninguém menos que Di Stefano. O pensamento cai como uma luva no que você escreveu. Serve para as celebridades citadas, para Felipão e sua "família", assim como para Lisca e o grupo que ele não conseguiu "sentar à mesa". Um abraço para você e, de todor modo, um outro para Lisca também, de minha parte sem beijinho no ombro, em respeito ao estilo de jogo que pretendeu implantar no Náutico e até mesmo pela primeira colocação na fase de classificação para as finais no estadual. Vou sentir saudade de Lisca.
ResponderExcluirObrigado Newton e Lucídio. Só uma observação. Quando digo "tchau, tchau" não é para o Lisca, mas o Lisca mandando seu tchau para a imprensa e o Neto. É que houve duas pessoas amigas que entenderam que eu estava dando um adeus ao Lisca. Eu gostei do seu trabalho técnico. Talvez mais apoio/suporte/orientação no seu estilo de lidar com todos ao seu redor pudesse ter evitado tudo que lemos e estão nas entrelinhas.
ResponderExcluirEndosso os aplausos, Harold. De Karajan à Valesca, você deu a Lisca o que é de Lisca.
ResponderExcluir