20 de mai. de 2014






Por ROBERTO VIEIRA

'Se a ética não respeitar a razão, a razão desprezará a ética...'

José Saramago

Luís Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o popular Lisca, é uma pessoa inteligente.
Um técnico que conhece os atalhos das quatro linhas.
Um treinador que é sabedor dos meandros do coração-torcedor.
Lisca entende que vitórias são momentos santificados.
Onde devemos subir aos céus dos alambrados.
Proclamando nossa fé no manto sagrado.
Mas Lisca também entende.
Que as derrotas são fruto de sabotagem.
Boicote.
Como se as derrotas fossem órfãs de Lisca.
Lisca que só pretende ser pai do Dia D.
Com isso pretendo encerrar a discussão de que Lisca é doido.
Lisca é extremamente inteligente.
Porém, Lisca tem um pecado mortal para quem comanda.
Para quem se pretende líder ou técnico de futebol.
Lisca tem a pseudo-paranóia do ‘eu ganho, nós empatamos e eles perdem!’
Nada que não possa ser melhorado com a experiência.
Afinal de contas, Lisca tem apenas 41 anos.
Com 41 anos, a gente está começando a vida.
Hoje, Lisca atacou Lúcio Surubim, Gerente de Futebol do Náutico.
Lúcio que hierarquicamente era o superior de Lisca.
Superior e ponto final.
Futebol é como exército.
Existe um superior a quem prestamos contas.
E fim de papo.
Lúcio é o escolhido pelo presidente Glauber para ser Gerente de Futebol.
Pois é!
Lisca chegou e implicou com Levi Gomes.
Lisca chegou e brigou com roupeiro.
Lisca chegou e quis afastar o imortal KUKI.
Só desistiu quando o convenceram que estaria iniciada a III Guerra Mundial.
Lisca que abriu fogo contra o elenco.
Fulano não cruza.
Fulano não dribla.
Beltrano isso.
E o elenco foi perdendo aquilo que faz de um time de futebol um time.
A união.
Por último, num episódio chapliniano.
Deu a notícia de seu pedido de demissão a um motorista de taxi.
Como se fosse Jânio Quadros.
E se mandou após o apocalipse potiguar.
Antecipando-se, quem sabe, ao Clube Náutico.
Agora.
Vejam como é a juventude, meus amigos!
Lisca detona Lúcio Surubim lá de longe.
Lúcio que é o Gerente de Futebol do Náutico.
Lúcio que trocou a estabilidade de uma carreira odontológica.
Pelo desejo de brilhar no futebol que é sua paixão.
Lisca que é tão inteligente.
Que mescla sua crítica a Lúcio com elogios apaixonados ao Timbu.
Como se ainda escalasse o alambrado da Ilha do Retiro.
Pra quem entende da psicologia de Lisca?
Foi apenas mais uma do Lisca.
Pois, Luís Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o popular Lisca, é uma pessoa inteligente.
Um técnico que conhece os atalhos das quatro linhas.
Um treinador que é sabedor dos meandros do coração-torcedor.
Mas que precisa aprender muito sobre os esquemas táticos da vida.
Os caminhos da amizade e da convivência profissional.

Caminhos que Lúcio Surubim já sabe de cor... e salteado.


5 comentários:

  1. Perfeito o texto, Mestre. E ainda teve o afastamento de Araponga, com mais de 50 anos de Náutico.

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  2. Pra mim existe, na verdade, um grande dilema. Treinador algum deve ter a chave do clube. Ele é mais um funcionário, deve opinar sobre o grupo que trabalhará com ele, mas não decidir. Só que existe um problema:o clube em questão é o Náutico que é parecido com a grande maioria dos clubes brasileiros. Nesse instante, vem a dúvida. Nossos clubes são mal geridos. A cabeça de nossos dirigentes é antiga ou eivada de má fé. Ou será que as duas coisas? Aí, o que é lógico, deixa de ser. Tem outra coisa que não concordo. Ídolo não tem que, necessariamente, ser funcionário do clube. O bom futebol que tornou Kuki ídolo do passado, não confere ao mesmo capacidade de ser assistente técnico. Gratidão não é pressuposto de ocupação de função. Por isso, não entro nas questões de Kuki, Levi ou Araponga. Sei que um gerente de futebol que já foi jogador, não pode contratar Kanu. Treinador, sobretudo em começo de carreira, não deve ter tanto poder. E agora?

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  3. Tem razão Gustavo. Um
    clube de futebol não pode ter a racionalidade econômico-financeira de uma empresa capitalista, como bem disse anteriormente Edgar Matos. Entretanto, no futebol como grande negócio do mundo contemporâneo, o clube deve implantar gestão profissionalizada que busque eficiência e eficácia dos diferentes setores. Nada de amizade, cabide de empregos para parentes, amigos, antigos ídolos sem qualificação para o exercício da função etc. Esse perfil amadorista da gestão tem sido também responsável pela presença de dirigentes nem sempre honestos.

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  4. Proveitosos esclarecimentos, Mestre! Sr. Lisca precisa de muito amadurecimento, mas muito mesmo, para ser algo no futebol.. pois só tem ego, até o momento.

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  5. Muito bom,Roberto.Aquela subida no alambrado da Ilha,selou a sorte de Lisca,expondo seu perfil de aproveitar os louros da vitória,puxando para si os holofotes.Essa atitude foi repetida na 'volta olímpica' dada após a vitória contra o Salgueiro.Jogador não gosta disso...

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Comentários