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| DEQUINHA E FLEITAS SOLICH NO FLAMENGO |
Por ROBERTO VIEIRA
A velha revista chilena repousa em minhas mãos.
Suplemento extraordinário de 1945,
homenagem ao sul americano do Chile,
presente do amigo Carlos Henrique quando retornou de Santiago.
Não resisto e busco imagens do jogo histórico.
O primeiro Paraguai e Uruguai em 1921.
Aos vinte anos o ser humano pode tudo.
Até o impossível.
O Paraguai debutava em Copa América.
O center-half guarani também.
Era a primeira partida internacional de sua carreira.
Magro, elegante, infinito.
Um metro e noventa de seriedade e bravura.
A cancha portenha do Sportivo Barracas lotada.
O Uruguai já era o terror do continente.
Três vezes campeão do torneio imaginado pelo Dr. Hector Gomez.
Desconhecido na Europa.
Fazia estragos por estas bandas.
Era a 74ª partida da Celeste.
Era o sétimo jogo da Albiroja.
Até aquela data, os paraguaios só haviam enfrentado a Argentina.
Todas as partidas na sofrida Assunção.
Os argentinos torciam em peso pelos estreantes.
Surpresa.
Os meninos jogam muita bola.
O ponteiro direito Schaerer dribla todo o Rio da Prata.
E toca para o jovem Rivas de apenas 16 anos:
“Faz!”
Decorridos oito minutos de pugna?
Paraguai 1x0.
Enrique Pinho, presidente da delegação manda recuar.
O jovem capitão de vinte anos diz ‘não’!
Pau puro.
Vinte minutos da fase complementar.
Ildefonso Lopez aumenta para 2x0.
Delírio e chapéus voando.
O Uruguai consegue descontar com o fenomenal Jose Piendibene.
Alma e raciocínio do Peñarol.
Piendibene que já atuava na Celeste quando Rivas usava fraldas.
Pressão.
Pressão.
Festa e invasão de campo.
Os doze mil espectadores entram no gramado
e carregam o time paraguaio nos ombros.
Olho para a revista nascida nas terras de Neruda.
A multidão carrega o arqueiro Portaluppi.
Rivas, Benitez, Paredes sumiram entre os torcedores.
Lá está também a foto do jovem capitão.
Capitão que se tornaria lenda.
Craque e campeão no Boca Juniors.
Técnico e campeão com a seleção paraguaia na Copa América.
Tricampeão carioca pelo Flamengo.
Comandante de Didi, Puskas e Di Stefano no Real Madrid.
Elegante e simpático senhor que encerrou seus dias morando em Copacabana.
Dom Fleitas Solich...

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