Por ROBERTO VIEIRA
Bola não se aprende na escola.
Mas campo de futebol é sala de aula.
E o primeiro professor brasileiro foi Charles Miller.
Professor e aluno exemplar.
Depois veio o Henry Welfare.
Ensinando a tabelinha e dando aulas de inglês e puro malte
escocês.
Nos anos 30, apareceu o Dori Kruschner.
Leônidas humildemente aprendeu a chutar.
Fausto?
Cabulou aula e mandou o húngaro se catar.
Pior pro Fausto.
Bola não se aprende na escola.
Mas campo de futebol é sala de aula.
Veio Sastre.
Tocando a bola e mostrando o que é que a Argentina tinha.
O brasileiro já sabia dominar a bola.
Sastre ensinou como dominar o jogo.
Quase na mesma época, em aulas particulares.
Dondinho dizia ao filho Pelé.
‘Beije de olhos fechados, cabeceie de olhos abertos!’
Bola não se aprende na escola.
Mas campo de futebol é sala de aula.
Bela Guttman se fez de Dori.
O Professor Zizinho recuou e Maurinho fez a festa.
Bola não se aprende na escola.
Mas campo de futebol também é sala de aula.
De repente, todo treinador virou Professor.
Professor pra cá.
Professor de lá.
Mas bem poucos sabem o que ensinar.
Mestrado?
Só Telê.
E nos dias de hoje.
Parece que o futebol brasileiro anda se analfabetizando.
Voltando aos tempos de Welfare e Miller.
Quando jogar bola era física quântica.
E craque mera questão de semântica...

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