Por ROBERTO VIEIRA
Maria Dorotéa, Miss Minas Gerais 1957, dá o pontape inicial. Ao seu lado, o dirigente alvirrubro Abelardo Paraíso. Era o dia 29 de agosto de 1957 nos Aflitos.
Pernambuco lembrava.
Os jogos contra os gaúchos pelo Campeonato Brasileiro de Seleções de 1956. Jogos disputados no mês de janeiro de 1957. A vitória por 2 x 1 em Porto Alegre. Vitória que desclassificara uma equipe de garra incomum. A temível seleção gaúcha. Campeã do Pan-Americano de seleções disputado na Cidade do México.
O Náutico alinhou Wagner; Caiçara e Lula; Caparelli, Zequinha e Nenzinho; Zezinho, Mozart, Benítez, Martins e Elias. Comandados pelo mago Ricardo Diez. O Colorado forma com Sérgio; Florindo e Paulistinha; Mossoró, Verardi e Joel; Luisinho, Bodinho, Larry, Chinezinho e Ivo Diogo. Nada menos que seis jogadores campeões no México: Sérgio, Florindo, Luisinho, Larry, Bodinho e Chinezinho. Internacional que dispensara o treinador Francisco Duarte, o popular Teté, dias antes.
Os olhos estavam postos no atacante Bodinho. Jogador pernambucano. Revelado pelo Íbis. Íbis que em sua homenagem fez a preliminar vencendo o Auto Esporte por 2 x 0. Isso mesmo, o Íbis vencia naquele tempo... Bodinho depois de muito rodar foi parar no Guaíba, tornando-se o maior artilheiro da história do Internacional.
O Náutico se baseava na antológica dupla Caiçara e Lula. No gol estreava Wagner no lugar de Cazuza. No ataque, Mozart contratado ao Fortaleza era a novidade. Mozarzinho que desafinou ao lado de Martins.
O Internacional perdia fôlego no sul. Assistia sua supremacia metropolitana ameaçada pelo Grêmio. Pelo Renner. Ia longe o tempo do Rolo Compressor. Mesmo assim trazia Larry. Trazia também o jovem Chinezinho de 22 anos. Chinezinho que haveria de brilhar no Palmeiras e na Juventus da Itália.
O Náutico respirava ares de transição. O fim da geração de Ivanildo. A chegada dos gols de Jorge Duílio Benítez Candía. Benítez. O estrangeiro que mais marcou gols pelo Flamengo: 75. Benítez que comandava o ataque do Náutico.
O jogo? Duro. Disputado palmo a palmo. Um empate sem gols no primeiro tempo. Até que numa desatenção de Caiçara e Lula, escanteio para o Inter. Na cobrança, Bodinho, sempre ele, surge nos céus. Desferindo uma cabeçada para o véu de noiva Timbu. Decorridos 16' da etapa final: Internacional 1 x 0.
O Náutico ataca. O Colorado se defende. Até que aos 35' Zezinho recebe e avança. Dentro da grande área é chargeado por Joel. Pênalti marcado pelo árbitro Lamolina. O centroavante Benítez pega a pelota. E decreta o empate da peleja. Náutico 1 x 1 Internacional.
Termina a partida.
Benítez abraça Bodinho.
Nos jornais, o Ministro da Saúde, Maurício Medeiros, garante:
"A gripe asiática no Brasil é benigna! Primeiro caso em Recife!"
Gripe asiática que já tinha matado milhares no Chile.
Qualquer semelhança, não é mera coincidência.

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