Pages - Menu

25 de out. de 2013

O PREÇO DO AMOR



ROBERTO VIEIRA

Um grande amigo meu está perdendo um grande amor. O que posso dizer pra ele?

Caro amigo,
Quem sou eu pra falar do amor, mas acho que ficar calado nem sempre é sinal de amizade, né? Então, vou escrever sobre o amor em minha vida e nas poucas lições que o amor me deu e que foram aprendidas – a maioria a gente esquece pra amar de novo.
O amor é o objeto mais barato desse mundo. Não custa um centavo e se encontra em qualquer esquina. A gente não paga nada pelo amor. Pelo menos, o verdadeiro amor. As pessoas que me amaram, amaram de graça, sem nem eu mesmo saber porque. Não fazia grandes esforços para ser simpático, nem para parecer inteligente, nem para ficar mais bonito... mesmo assim estas pessoas me amaram. Acho que me amaram pelo que eu era e sou – o que é mais incrível ainda. Todos os dicionários amorosos, todos os manuais de instrução se tornaram obsoletos diante deste tipo de amor. Conversávamos durante horas, ligávamos um pro outro pra dizer ‘eu te amo’, ‘estou com saudade’ e coisas deste tipo mamão com açúcar. A gente descobre que alguém nos ama, ou está a fim, quando aquela pessoa que nunca atende o telefone de ninguém começa a atender o nosso no primeiro toque. É algo mágico.
Ao mesmo tempo, meu amigo, o amor é o objeto mais raro, caro e difícil deste mundo. Não custa um milhão, custa trilhões e trilhões de euros e não se encontra em qualquer esquina. A gente paga tudo que tem pelo amor e ele necas de pitibiriba. Pelo menos, o verdadeiro amor. As pessoas que não me amaram e que eu implorava que me amassem, amaram de graça qualquer um, sem nem mesmo saber porque. Mas nunca sonharam em amar a mim – apesar das fitas k-7 com Bee Gees e Air Supply. Fazia grandes, imensos esforços para ser simpático, para parecer inteligente, para ficar mais bonito... mesmo assim estas pessoas nunca me amaram e creio que me achavam um tremendo pé no saco. Acho que nunca me amaram pelo que eu era e sou – o que é mais incrível ainda. Todos os dicionários amorosos, todos os manuais de instrução se tornaram obsoletos diante deste tipo de amor. Telefonava durante horas, dava flores, mandava bilhetes com ‘eu te amo’, ‘estou com saudade’ e coisas deste tipo mamão com açúcar. Nunca deu certo.
A gente descobre que alguém não nos ama, ou está a fim, quando aquela pessoa nunca atende o telefone da gente, nunca devolve uma ligação, nunca nos dá um beijo, um abraço sequer, nem no dia do nosso aniversário.
Voltando ao seu caso, existem pessoas que nos amaram e preencheram todos os requisitos acima, mas com o tempo, todas aquelas coisas foram se perdendo e ela passou a te ignorar. Faz parte, sinto dizer isso, mas faz parte da vida. Muita gente te aconselharia convidar para um jantar chique, flores amarelas, violetas azuis, viagem a Paris.
Qual minha opinião?
Eu nunca faria nada disso – embora já tenha feito algumas coisas do tipo nessa vida. Só que a vida me ensinou que amor não precisa de jantar, violetas nem Paris – embora quando se ame isso seja espetacular.
O verdadeiro amor é pão com mortadela, muitas vezes nem ela.
O verdadeiro amor muitas vezes não pode te dar tanta atenção, mas sempre tem um beijo carinhoso e um sorriso nos olhos.
Quando você tem febre de noite, o amor vem e te cobre.
Quando você demora a chegar, o amor reza e pede a Deus que te proteja.
O verdadeiro amor muitas vezes se acaba e a gente precisa saber respeita-lo pelo tanto que nos deu.
Além do que, como escrevi até agora, nada do que você possa dizer ou fazer vai mudar nada.

O amor, como já escreveram os poetas, não se pede por favor...

Um comentário:

Comentários