ROBERTO
VIEIRA
Um
grande amigo meu está perdendo um grande amor. O que posso dizer pra ele?
Caro amigo,
Quem sou eu pra falar do amor, mas acho que ficar
calado nem sempre é sinal de amizade, né? Então, vou escrever sobre o amor em
minha vida e nas poucas lições que o amor me deu e que foram aprendidas – a maioria
a gente esquece pra amar de novo.
O amor é o objeto mais barato desse mundo. Não custa
um centavo e se encontra em qualquer esquina. A gente não paga nada pelo amor.
Pelo menos, o verdadeiro amor. As pessoas que me amaram, amaram de graça, sem
nem eu mesmo saber porque. Não fazia grandes esforços para ser simpático, nem
para parecer inteligente, nem para ficar mais bonito... mesmo assim estas
pessoas me amaram. Acho que me amaram pelo que eu era e sou – o que é mais
incrível ainda. Todos os dicionários amorosos, todos os manuais de instrução se
tornaram obsoletos diante deste tipo de amor. Conversávamos durante horas, ligávamos
um pro outro pra dizer ‘eu te amo’, ‘estou com saudade’ e coisas deste tipo
mamão com açúcar. A gente descobre que alguém nos ama, ou está a fim, quando
aquela pessoa que nunca atende o telefone de ninguém começa a atender o nosso
no primeiro toque. É algo mágico.
Ao mesmo tempo, meu amigo, o amor é o objeto mais
raro, caro e difícil deste mundo. Não custa um milhão, custa trilhões e
trilhões de euros e não se encontra em qualquer esquina. A gente paga tudo que
tem pelo amor e ele necas de pitibiriba. Pelo menos, o verdadeiro amor. As
pessoas que não me amaram e que eu implorava que me amassem, amaram de graça
qualquer um, sem nem mesmo saber porque. Mas nunca sonharam em amar a mim –
apesar das fitas k-7 com Bee Gees e Air Supply. Fazia grandes, imensos esforços
para ser simpático, para parecer inteligente, para ficar mais bonito... mesmo
assim estas pessoas nunca me amaram e creio que me achavam um tremendo pé no
saco. Acho que nunca me amaram pelo que eu era e sou – o que é mais incrível
ainda. Todos os dicionários amorosos, todos os manuais de instrução se tornaram
obsoletos diante deste tipo de amor. Telefonava durante horas, dava flores, mandava
bilhetes com ‘eu te amo’, ‘estou com saudade’ e coisas deste tipo mamão com
açúcar. Nunca deu certo.
A gente descobre que alguém não nos ama, ou está a
fim, quando aquela pessoa nunca atende o telefone da gente, nunca devolve uma
ligação, nunca nos dá um beijo, um abraço sequer, nem no dia do nosso
aniversário.
Voltando ao seu caso, existem pessoas que nos amaram
e preencheram todos os requisitos acima, mas com o tempo, todas aquelas coisas
foram se perdendo e ela passou a te ignorar. Faz parte, sinto dizer isso, mas
faz parte da vida. Muita gente te aconselharia convidar para um jantar chique, flores
amarelas, violetas azuis, viagem a Paris.
Qual minha opinião?
Eu nunca faria nada disso – embora já tenha feito
algumas coisas do tipo nessa vida. Só que a vida me ensinou que amor não
precisa de jantar, violetas nem Paris – embora quando se ame isso seja
espetacular.
O verdadeiro amor é pão com mortadela, muitas vezes
nem ela.
O verdadeiro amor muitas vezes não pode te dar tanta
atenção, mas sempre tem um beijo carinhoso e um sorriso nos olhos.
Quando você tem febre de noite, o amor vem e te
cobre.
Quando você demora a chegar, o amor reza e pede a
Deus que te proteja.
O verdadeiro amor muitas vezes se acaba e a gente precisa
saber respeita-lo pelo tanto que nos deu.
Além do que, como escrevi até agora, nada do que
você possa dizer ou fazer vai mudar nada.
O amor, como já escreveram os poetas, não se pede
por favor...

Agora fud... de vez! Falar o que?
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