7 de out. de 2013






02/11/2004  
Senhor Menezes, 

Guardei na minha escrivaninha o recorte do jornal com a sua coluna de 12/12/2002,  de título “Shows e competições” pois, à época, considerei-a uma visão clara e objetiva do futebol, com a qual plenamente concordei;  inspirado nela e aproveitando este feriado de Finados (mera coincidência!) a reli e gostaria de emitir a minha opinião sobre o atual estágio do futebol pernambucano:

Adoro futebol, vou freqüentemente aos campos, assisto a jogos nacionais e internacionais até em demasia e pela minha idade, 52 anos, posso considerar-me uma pessoa com muita sorte como torcedor de futebol.

A minha 1ª experiência num campo de futebol, levado pelo meu pai, foi assistir a Brasil x Portugal, no ainda romântico Pacaembu, pois havia a concha acústica atrás de um gol, jogo esse preparatório para a Copa de 1962; nessa ocasião vi Eusébio, Gilmar, Didi, Vavá, Zito, Garrincha e Pelé só para citar alguns; pouco tempo depois, num Morumbi, ou melhor, só havia metade do Morumbi atual, vi a fantástica dupla de área  do São Paulo, Jurandir e Dias marcar ao Pelé e Coutinho; de lá para cá assisti a jogos fantásticos, não só do meu time, o Santos, mas a muitas finais do campeonato paulista e brasileiro onde os protagonistas eram outros times e a vários jogos da seleção; estive presente, inclusive no 3º jogo da decisã o entre Santos e Náutico  (4 x 1) pela Taça Brasil, após a vitória histórica do Náutico, senão me engano, por 5 x 4, lá em São Paulo.

No princípio da minha ida aos estádios a cidade de São Paulo tinha 5 milhões de habitantes e contava, além de Corinthians, Palmeiras e São Paulo, com uma Portuguesa também considerada time grande e com um Juventus que tinha mais de 100.000 sócios e, em razão disso, apresentava um futebol de bom nível pois dinheiro era o que não faltava a esse clube de excelente patrimônio. Nos tempos atuais, numa cidade de 12 milhões de habitantes, praticamente só restam os 3 grandes, a Portuguesa está caminhando a largos passos para a extinção e o Juventus virou um time insignificante. No Rio de Janeiro o mesmo ocorreu pois o América e o Botafogo nem mais são times da cidade maravilhosa, tendo estádios na baixada fluminense e em Niterói, respectivamente. Flamengo, Flumine nse e Vasco são os representantes cariocas e há dúvidas se o estado comporta 3 clubes. Num dia destes presenciei integrantes do jornalismo esportivo paranaense questionando o futuro do Paraná F.C. pois acreditam que a cidade de Curitiba não comporta mais que 2 times de futebol e se uma outra força estadual aparecer terá de ser do interior, acreditam eles que vivem num estado de economia em franco crescimento.

Em 2006 teremos 20 equipes na 1ª divisão nacional e outras 20 na segundona e isso senão tivermos, num futuro muito próximo, 18 times em cada; enquanto isso os torneios regionais (campeonatos estaduais) caminham para a extinção, estão perdendo a sua importância e, provavelmente, se sobreviverem serão meros torneios classificatórios com equipes que almejam estar nas divisões nacionais.

Quanto ao futebol pernambucano, guardadas as devidas particularidades, o mesmo ocorre. De 1975 a 2000 vim para cá praticamente todos os anos e sempre o acompanhei, mesmo à distância. O estado era forte na sua economia e forte no seu futebol.  Vivo em Recife há 4 anos e, infelizmente, constato que economicamente o estado, relativamente ao seu passado, não acompanhou o mesmo crescimento ocorrido em outros estados (exemplos: Paraná, Santa Catarina, Goiás, Bahia, Ceará, ...).
Podemos até afirmar que, em termos nacionais, o futebol de Pernambuco foi substituído pelo futebol de Santa Catarina, este desprezível no passado. Se compararmos os últimos 5 anos do futebol local verificaremos que o ano anterior foi melhor que o seguinte (em 2000 os resultados foram melhores que 2001, por sua vez 2001 foi melhor que 2002, 2002 melhor que 2003 e 2003 melhor que este 2004). Como será em 2005? Temo ser bem mais fácil continuarmos ladeira abaixo do que obtermos a ascensão à 1ª divisão, até porque na segundona do próximo ano teremos clubes importantes do futebol nacional e com dinheiro farto do clube dos 13, além do Ituano forte (quase, por acaso, foi antecipado para este ano o plano de acesso do clube), de um Santo André que já está montando time para disputar a Libertadores e que virá fortíssimo visando também o acesso à primeirona e de 2 fortes concorrentes que não terão sucesso nas finais deste ano da segundona, finais essas que só veremos pela televisão.

Lamentavelmente, só vejo duas possibilidades analisando a situação atual: Pernambuco F.C. ou a agonia da 3ª divisão e vermos 2 clubes locais nas próximas duas décadas tomando o mesmo caminho de ex-grandes equipes de futebol. Neste período em que aqui vivo torci e continuo torcendo por Náutico, Santa Cruz e Sport, vou aos 3 estádios (isso considerando o decadente Arruda ainda um estádio de futebol) e torço por essas equipes quase como se fosse o meu Santos; nos jogos entre eles simplesmente assisto e me divirto, fui a jogos da 1ª divisão, da Copa do Brasil e a inúmeros da seg undona, entretanto não fui a nenhum do campeonato local porque os jogos desse torneio não apresentam nenhum atrativo.

Difícil de acontecer (principalmente para os saudosistas)  mas o mais sensato nestes novos tempos globalizados seria uma fusão de Náutico, Santa Cruz e Sport. A criação do Pernambuco F.C. seria o mais inteligente numa cidade que não comporta, nacionalmente falando, mais que um time de futebol e com os dirigentes, uma força única, trabalhando para obter parcerias do governo do estado e de empresas privadas  no intuito da construção de um moderno estádio municipal de futebol e assim colocando o estado de volta ao estrelato no que refere ao futebol nacional.

Infelizmente, só vejo contratações de técnicos e jogadores altamente duvidosos do sul do país que para cá vêm simplesmente para passar uma temporada, não vejo nenhum planejamento nos clubes, não vejo centros técnicos, não vejo parcerias e, por fim, não vejo vontade dos dirigentes de mudar a precária e crítica situação atual.

1 abraço.

Antonio Azevedo
Recife


2 comentários:

  1. Caros amigos,

    desde que o querido poeta publicou este artigo cá estou a esperá-los...

    de armadura... hehehe...

    vocês sabem que lá pelos anos 90 houve uma época que pensei isto:

    - acho que seria melhor para o meu querido time, o Santos, uma fusão com a Portuguesa Santista e o Jabaquara... formando, quem sabe... o Baixada F.C.

    é, queridos amigos... tempos de desespero!!!

    mas, vejam... o meu Santos recuperou-se... por enquanto!... até quando?... os tempos são outros...

    não sei se sabem... a diretoria atual está a elaborar estudos para, quem sabe, tornar o Santos um time da baixada santista e da capital... com duas sedes, com a Vila Belmiro e o Pacaembu...

    a baixada santista deve ter uns 3 milhões de habitantes... a cidade de São Paulo 12 milhões e a grande São Paulo 22 milhões... por isso, o Santos precisa se expandir para sobreviver e, nada melhor, do que se aproveitar dessa ociosidade do Pacaembu... o melhor, principalmente quanto à localização, estádio dessa região.

    cada caso é um caso...

    não me massacrem... entretanto, seria o melhor, de longe, para o estado de Pernambuco.

    sei que não ocorrerá... torcidas, tradições, rivalidades, etc.

    com o tempo alguém sobrará... infelizmente!

    abraços.

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    1. Mestre Antonio!!!

      Quando o Pernambuco FC existir, você será o presidente honorário! :-)

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Comentários