28 de set. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA

Foi sem querer. A bola entrando no ângulo sem chances para o goleiro adversário. E embora insista que não foi o caso, testemunhas revelam que até Ele ficou meio espantado quando a bola beijou as redes.
Adão e Eva. Noite e dia. Terra e mar. O mundo parecia completo quando deus foi descansar. O Jardim do Eden tinha comida às pampas e apenas o aviso na macieira proibia alguma coisa. Deus podia tirar o sono dos justos.
Mas havia Eva e havia Adão. A cobra chegou sorrateira e convenceu a dupla a comer o fruto proibido. A fofoqueira da coruja contou pro macaco que saiu espalhando pra todo o resto da bicharada.  
Deus ficou uma fera!
Botou o casal humano pra correr e prometeu suor e trabalho por toda eternidade. A cobra ficou calada, mas desde aquele dia carrega fama terrível. Ninguém quer muito papo com ela.
Conversa vai e conversa vem, nove meses depois se deu a surpresa. Nasceu Caim. Eva vinha desconfiando daquela barriga grande, diminuiu o chocolate, mas a verdade era pequena, pesava três quilos e fazia cocô à beça. Chorava a noite toda quando doente e fazia sorriso inocente quando era apanhado nas trelas.
Deus soube da notícia.
Que milagre era aquele sem seu consentimento?
Deus foi ver Caim.
Deus não coube em si do espanto. Ali estava uma obra bem mais refinada que a Criação. Tudo bem que demorou nove meses, mas Ele era Deus e podia construir qualquer coisa em seis dias. Só que nunca havia imaginado um filho.
Caim também era inocente. E de uma meiguice e inocência além da própria compreensão divina. Era mais inocente que o próprio Deus, como Deus havia sido na sua origem, lá longe no começo dos tempos.
Deus se surpreendeu também com falta de cerimônia da criança. Pegou nas suas barbas, puxou os seus cabelos e ainda deu um pontapé em seu joelho quando ele não quis prestar atenção no que dizia.
Deus soube que aquilo seria transitório. Havia cobras demais no mundo, os pais de Caim tinham milhares de defeitos e o futuro traria Abel.
Deus havia criado a mais bela criatura do universo sem querer. O maior gol de Deus foi feito por acaso. Mas o futuro traria Abel.
Deus ficou feliz, mas depois ficou melancólico. A luz dos tempos futuros percorreu seus olhos. Um dia, precisaria enviar seu próprio filho para salvar a humanidade. Abel diante de Caim. Como prova de sacrifício, como prova de humildade. Pois até mesmo Deus precisava sentir na pele a dor maior de uma ser humano que é perder seu próprio descendente.
E nos olhos de Caim, Deus viu Jesus.
Um Jesus único, Abel.
Deus olhou as estrelas no céu.
Não era o Homem a imagem e semelhança de Deus.
A imagem e semelhança de Deus estava nas criancinhas.
Criancinhas que souberam desde o primeiro momento ao se encontrar com o Nazareno.

Ali estava o Filho de Deus...


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