Por
ROBERTO VIEIRA
Barcelona x Ajax fazem
nesta quarta-feira sua segunda partida oficial. A primeira mudou a história do
futebol.
Os dois clubes
pertencem ao final do século XIX.
Quando a Europa
respirava sonho.
O Ajax da fluvial
Amsterdã.
O Barcelona
mediterrâneo.
Cidades ricas unidas
nos campos por um homem:
Johan Cruyff.
Cruyff que construiu a
máquina do Ajax.
Menino pobre, Kovacs,
Michels.
Cruyff que ressuscitou
o Barcelona.
Craque milionário,
laranja mecânica, Juan Gamper.
Um mês após a perda da Copa
de 74.
Cruyff se veste de azulgrana.
O adversário é vermelho
e branco e infância.
A Ajax adentra o Camp
Nou de joelhos.
Tem Krol, tem Suurbier,
tem Hann, Rep e Keizer.
Mas do outro lado estão
as pesetas, Neeskens e Cruyff.
Temporal fantasmagórico
antes da peleja.
Pontapé inicial.
A chuva se vai por
encanto.
Cruyff como na final da
Copa.
Dois minutos.
Barcelona 1x0.
O estádio grita.
Cruyff se perde em
lembranças.
Neeskens também hesita.
Cidades ricas e
capitalistas.
O segundo tempo devolve
a realidade aos craques.
Cruyff lança Marcial:
2x0.
Neeskens e Costas
tabelam com Asensi: 3x0.
Estava sepultada a
Ajax.
O Barcelona de Cruyff
iniciava uma caminhada longa.
Áspera.
Uma hora vinha o Leeds.
Noutra, o São Paulo.
Barcelona que seria o
novo Ajax no século XXI.
20 de agosto de 1974.
Cruyff chega em casa e
acende o último cigarro do dia.
Queria acreditar em um
Deus.
Um Deus que falasse em
saudade de casa.
Mas Deus não existia.
A única coisa
importante era a bola na rede...

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários