12 de set. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA*

Estamos em plena Berlim
Era um sonho dantesco.
A pista de corrida.
Que da tribuna ariano o brilho,
Das SS a se banhar.
Tinir de guerra... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Tremendos a dançar... 
Negras silhuetas, surpreendendo o mundo 
Meras crianças, cujas bocas pretas
Regam o sangue das mães:
Outras, bocas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas.
Em ânsia e mágoa vãs.
E sofre a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Se o Fuhrer arqueja se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Surpresas elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia
E chora ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
Varrei os ares, Owens!
Que em tua Pátria também não podes ser...


·         Livre débito ao navio negreiro de Castro Alves

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