Por
ROBERTO VIEIRA
Claudio
Gentile nasceu na Líbia em 27 de setembro de 1953. Curiosamente, foi o ano da
primeira vitória em jogo oficial da seleção líbia: 5x2 sobre a Palestina...
Em Trípoli era vencer ou vencer.
Pais sicilianos.
Colegas árabes.
Cada dividida era um golpe no destino.
Maradona pensa nas Malvinas.
Cláudio pensa em Trípoli.
A Copa do Mundo não se compara a fugir de Khadafi.
Maradona foge.
Gentile derruba.
Maradona dribla.
Gentile puxa e rasga a camisa.
Maradona reclama.
Gentile vence a partida e se defende:
‘Futebol não é pra bailarinas!’
Zico.
Os italianos já foram longe demais.
Gentile lembra do pai trabalhando na tipografia.
Gentile lembra das peladas na Igreja de Santo
Antonio.
Igreja não há mais.
Misurati.
Klein finge que não vê.
Zico foge.
Gentile derruba.
Zico dribla.
Gentile puxa e rasga a camisa.
Rossi completa o crime.
Zico expõe o santo sudário em trapos.
A Itália é campeã.
Gentile pela primeira vez é visto como italiano.
Mas seus olhos miram o passado.
Um passado de fascistas, muçulmanos, mesquitas e
peladas.
Em Trípoli era vencer ou vencer.
Pais sicilianos.
Colegas árabes.
Cada dividida era um golpe no destino.

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