Por NEWTON MORAIS
Certamente acreditando que estou profundamente arrependido por ter escrito, em julho, um texto avaliando positivamente o trabalho inicial do Colegiado, fui desafiado por um companheiro do nosso grupo de oposição a redigir uma nova crônica. É o que faço nesse momento.
Inicialmente, deixo claro que nem por um segundo arrependi-me de alguma palavra que escrevi.
O foco principal do documento anterior foram as contratações. Disse que concordava com a maioria delas, pois foram realizadas com critério. Assim, passo a analisar cada uma das 11 contratações que tinham sido feitas pelo Colegiado até o momento em que escrevi o texto.
1. Ricardo Berna (goleiro) – dispensa comentários. Excelente desempenho em todos os jogos em que atuou. Devemos fazer todo o esforço para mantê-lo na equipe para o ano que vem.
2. João Filipe (zagueiro) – estava no São Paulo desde agosto/2011, tendo atuado em 46 partidas e sido o titular com os treinadores Adilson Batista e Emerson Leão. Perdeu espaço no time com a chegada de Ney Franco. No Náutico tem sido bastante irregular. Se dependesse de mim, não teria seu contrato renovado.
3. Luiz Eduardo (zagueiro) – também veio do São Paulo. Apesar de bastante jovem (20 anos), já tinha jogado 11 vezes no time principal. Foi uma aposta que não deu certo. Fraquíssimo, acredito que não terá seu contrato renovado.
4. William Alves (zagueiro) – fez ótimo campeonato pelo Santa Cruz e teve excelentes atuações nos dois jogos contra o Internacional, pela Copa do Brasil. Lembro que a torcida do Náutico vibrou com sua contratação.
5. Eltinho (lateral) – passou por grandes times do futebol brasileiro (Cruzeiro, Flamengo e Internacional). Foi para o Coritiba em 2011, tendo jogado 67 partidas pelo Clube. Seu desempenho no Náutico tem sido fraquíssimo e acredito que não terá seu contrato renovado.
6. Derley (volante) – pessoalmente, o considero um jogador limitado tecnicamente, mas é muito valente e o “xodó” da torcida, que vibrou com sua contratação.
7. Angelo Peña (meia) – apesar de bastante jovem (23 anos), já foi convocado 16 vezes para a seleção da Venezuela, tendo jogado 11 partidas. Pela Sub-20, jogou 12 partidas. É considerado o mais promissor dos jovens jogadores do futebol venezuelano. Em minha opinião, deve ser mantido para 2014.
8. Diego Morales (meia) – participou de quase 150 partidas no futebol argentino e já jogou uma vez pela seleção de seu país. É considerado pelo treinador do Barcelona o terceiro melhor meia do futebol argentino, atrás apenas de Messi e Riquelme. Como sua regularização demorou muito, teve poucas oportunidades no Náutico. Eu o manteria para 2014.
9. Hugo (atacante) – esse eu não teria contratado, pois fez um único gol no último campeonato carioca. Por mim, não ficaria.
10. Olivera (atacante) – nos últimos 4 anos jogou no Universidad de Chile (68 jogos, 45 gols, média de 0,7 por partida), Al-Shabab da Arábia Saudita (13 jogos, 7 gols, média de 0,5 por partida), Al Wasl, do Emirados Árabes Unidos (29 jogos, 17 gols, média de 0,6 por partida) e Peñarol (59 jogos, 30 gols, média de 0,5 por partida). Teve, portanto, bom desempenho em todos os times por onde passou. No total, marcou 99 gols em 169 jogos, uma média de 0,6 por partida. Neste ano, foi campeão do Uruguai pelo Peñarol e artilheiro do campeonato. Pelo Náutico, começou mal, mas tem melhorado a cada partida. Em minha opinião, deve ser mantido para 2014.
11. Jonatas Belusso (atacante) – veio do Guaratinguetá e nunca passou por grandes equipes. Chegou com fama de goleador, pois estava com média de 0,8 gol por partida no Campeonato Brasileiro da Série B. Outra aposta que não deu certo. Muito fraco, se dependesse de mim, seria dispensado.
Portanto, amigos, o que destaquei foi que houve critério nas contratações, inclusive em relação aos valores, pois todas foram realizadas dentro da realidade financeira do Clube. Dar certo ou não é outra história. Além disso, Marcílio Sales, que tem voz ativa no Colegiado, foi nosso candidato a presidente nas últimas eleições do Náutico e, certamente, também teria papel preponderante nas nossas contratações para o futebol. Isso permite supor que muitos dos jogadores contratados poderiam fazer parte do elenco, caso a eleição tivesse sido ganha pelo MTA.
Mas, então, como justificar uma campanha tão desastrosa? Difícil explicar. Faço minhas conjecturas:
a) A discórdia. No meu entendimento, é a principal causa. O Colegiado, composto por 17 pessoas, é muito heterogêneo e sem coesão. Há divergências pessoais e com a Direção do Clube, tanto com Paulo Wanderley quanto com Berillo Júnior. Muitos mal se cumprimentam. O desentrosamento se estendia ao técnico, frequentemente criticado abertamente por membros do Colegiado. Vinícius Labanca chegou ao absurdo de postar em seu Twitter que o treinador não entendia nada de futebol. Amadorismo total.
b) É muito complicado montar um time completo com a competição em andamento, principalmente pela dificuldade de entrosamento e pelo desespero causado pelos primeiros insucessos.
c) Futebol não é ciência exata e, portanto, muitas vezes, ocorre do time não dar “liga”. A atual campanha do São Paulo no Brasileirão é um exemplo. O contrário ocorre com Wagner Mancini no comando do Atlético-PR.
Como frisei no documento anterior, divirjo frontalmente do modelo de gestão adotado pela atual Direção, mas não faço agressões pessoais e trato todos civilizadamente. Entendo que a oposição tem a obrigação de fiscalizar o trabalho dos nossos dirigentes, porém discordo de muitos amigos que acham que, em sendo oposição, devemos criticar os erros e nos calarmos nos acertos, para não fortalecer o “adversário”. Isso não ganha votos.
Saudações alvirrubras.

De uma coisa eu tenho certeza. Ou por boicote ou por ruindade mesmo, a bola não chega no Morales. O maestro. Homem de criação. Isto também depende do técnico. A continuar assim, ele vai embora e eu nunca vou saber se ele joga mesmo.
ResponderExcluirDe uma coisa eu tenho certeza. Ou por boicote ou por ruindade mesmo, a bola não chega no Morales. O maestro. Homem de criação. Isto também depende do técnico. A continuar assim, ele vai embora e eu nunca vou saber se ele joga mesmo.
ResponderExcluirMais um vez brilhante, Newton.
ResponderExcluirPosteriormente, lembrei-me de 2 fatores adicionais que também influenciam nossos maus resultados:
ResponderExcluira) Não temos nenhum jogador para a "bola parada" (faltas e escanteios), que é fator fundamental para qualquer equipe, principalmente aquelas de menor qualidade - que não podem dar-se ao luxo de desperdiçar oportunidades;
b) A falta de finalizadores (o único é Olivera, mas por ser atacante de referência depende da bola chegar até ele).
No jogo de hoje, houve um pênalti em Rogério, que foi claramente empurrado. Duro é ouvir Wilson Souza dizer que foi apenas contato. Não sei o que esse cidadão tem contra o Náutico.
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