3 de set. de 2013





Prezado Geandre,

Muitas vezes a paixão me faz esquecer que sou apenas um contador de estórias. Um inventor do passado de minhas memórias. Um transeunte neste imenso caminho chamado tempo. Como se o tempo me fosse roubado aos poucos durante a existência.

Sou apenas isso, e sendo apenas isso sou feliz.

Muitas vezes, durante a vida do Blog, enveredei por estradas que desconheço. Políticas, politicalhas, labirintos do poder, sobrenomes ilustres e candelabros ancestrais.

Tentei. Confesso que tentei.

Mas são todos estranhos para mim. Minha paixão é pelos noventa minutos em campo, pela biografia dos craques com a bola no pé, pela escrita de um Armando, de um Lucídio, de um Celso, de um Lenivaldo ou Nelson.

Sempre que abro a porta anatômica do futebol e vasculho a fisiologia natural aos clubes, retorno sôfrego ao descanso dos livros, do passado e dos gols.

Gostaria de ajudar ao clube que amo, porém o clube que eu amo é uma abstração filosófica. O clube que eu amo amava a camisa em 1934, ressurgia das cinzas em 1950, era administrado com zelo em 1965.

Ninguém mais incapaz de dialogar com a lógica (???!!!) das gestões preconizadas pelo século XXI em nossos clubes que eu. Acredito em coisas que foram engavetadas faz tempo. Acredito em pessoas que se tornaram fantasmas assustadores para o mundo atual.

O que tenho para escrever interessa a alguns. São relíquias, romances, odisseias, ilíadas do instante em que se andava de mãos dadas com a pessoa amada e se jurava cantigas de amor. Sou do tempo das serestas em um universo de funk.

Sou do tempo das jabuticabas em época de jabá.

Para amar o futebol é preciso manter distancia dos dirigentes e do Poder. Para amar o futebol é preciso contar estórias de quem realmente ama o futebol e não as mesas suntuosas das mansões.

Hoje vou ao Santa Cruz em homenagem aos verdadeiros heróis deste drama chamado BOLA.

Hoje vou ao Santa Cruz para comemorar o que amo desde o berço: o FUTEBOL.

Alguns dirão: Mas é o Santa?

E eu direi que é o SANTA.

Porque o Santa Cruz, o Náutico, o Sport, O Flamengo, o Vasco e todos os clubes só existem pelo amor dos seus torcedores, pela garra e suor dos seus craques e por este sentimento que venho tentando descrever em todas essas linhas.

Um sentimento chamado PAIXÃO.

Caro Geandre, Mestre e amigo.

Pretendo retornar aos salões dos bailes de outrora. Dançar a valsa do Danúbio vermelho e branco de todos nós. Brindar com Lucídio, Celso, Carlos Henrique, Geandre.

Gritar GOL.

Meu Náutico é o Náutico de Ivan Brondi, Nado e Salomão. Náutico de Ivanildo e Bita. Náutico de um tempo perdido nas lembranças dos campos dos sonhos.

O presente quer apenas o PODER...

O presente já tem as respostas prontas.

O presente é muito sem graça...

Grande e afetuoso abraço,

Roberto



4 comentários:

  1. Roberto, obrigado pelo retorno. Concordo com tudo que foi escrito e fico torcendo que a paixão fale mais alto, confiando na sua qualidade de aglutinador. Isso pelo bem do futebol e principalmente do Náutico.

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Comentários