12 de set. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA


A bodega era centenária. Amada e reverenciada por todos. Mas o tempo e a maresia tinham transformado o velho estabelecimento em pardieiro pintado de branco e vermelho. A luz não era paga; água cortada; cheques sem fundo; previsão de fechamento imediato.

Os filhos se reuniram em torno do mais velho e botaram a mão na massa. Empresta de cá, remenda dali, conserta acolá, fiado aqui. A bodega respirou aliviada, ganhou sobrevida, recebeu até computador novo e honrou seus compromissos.

Apesar de empregar bem mais gente do que devia, apesar dos percalços do crescimento inesperado, apesar das idas e vindas dos credores, apesar da inexperiência dos irmãos, a bodega era sucesso. Criou até suco novo, um tal de KUKI, vendido que nem banana entre a criançada.

Mas veio a vaidade, veio a modernidade, vieram os compromissos nacionais, veio a constante necessidade de atualização dos produtos e dos funcionários diante de uma concorrência brutal. A bodega lutava agora contra adversários poderosos demais e continuava na idade da pedra lascada mesmo que algumas instalações já fossem de primeiro mundo. Tinha irmão gastando o dinheiro da bodega como se dinheiro nascesse em escanteio. Tinha irmão deslumbrado com as rádios, como os blogs, com a fama, com o twitter.

A decisão devia ser rápida.

Crescer ou enfrentar o fantasma de fechar novamente?

Bodega ou Rio Mar?

Com a palavra?

Os irmãos...



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