24 de ago. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA

23 de agosto de 2013 é um dia inesquecível. A medicina brasileira tal qual a conhecemos acabou. Os Conselhos de Medicina, criados originalmente em 1945 e regulamentados pela Lei 3.258 de 1957, cessaram de existir na prática do governo brasileiro.
Até 23 de agosto de 2013, um cidadão para exercer a Medicina em território brasileiro, teria de necessariamente estar inscrito e reconhecido por tais Conselhos e referendado pela Associação Médica Brasileira. Com a chegada de médicos estrangeiros e brasileiros com curso no exterior sem revalidação do diploma no Brasil e licitados a exercer a Medicina sem o aval dos órgãos de classe, o charlatanismo deixa de ser crime.   
Os efeitos de tão surpreendente e absurda decisão se farão sentir nos próximos anos em nossa sociedade. Na Fundação onde trabalho, cem por cento dos residentes afirmaram que não fariam o curso médico novamente. Os jovens que sempre serão o reduto da esperança perderam o horizonte. Os jovens médicos sentem que todo seu esforço é absolutamente vão.
Imaginar que a Medicina brasileira, aviltada e torpedeada por sucessivos governos que sucatearam o patrimônio público e imaginam que saúde se trata com bloco e caneta, deixando desamparados e desassistidos os nosocômios populares enquanto tratam suas mazelas em hospitais particulares de ponta, é algo digno dos escritos de Kafka e Pirandello.
Uma presidenta enfraquecida pela queda de popularidade e um Ministro da Saúde oportunista e enlouquecido na busca de ser eleito para o governo do estado mais rico da nação, foram corroborados por uma malta de reitores sequiosos do Poder, esquecidos da real função das Universidades, amauróticos pela arrogância peculiar aos que se imaginam sábios e na verdade são tolos de carteirinha.
Resta aos Conselhos e Associações médicas a tentativa de ressurreição nas palavras e nas ações judiciais. Resta aos médicos a batalha final contra a terapêutica dos xamãs marxistas que pregam o socialismo igualitário porém habitam as suítes de luxo, comem e bebem nos restaurantes cinco estrelas e frequentam as UTIs mais nobres deste planeta.
23 de agosto de 2013, o dia em a Medicina brasileira acabou, pode ser um epitáfio. Um suspiro final do doente moribundo nas mãos de uma infame classe dirigente.
Ou quem sabe, um renascer.
Depende de nós.


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