15 de ago. de 2013








Por ROBERTO VIEIRA


No princípio eram os pais e avós.

Depois vieram os procuradores.

Mas o futebol era jogado no campo.

Tinha bicho, catimbó e catimba.

Subornavam-se árbitros e goleiros.

Mas o futebol era jogado no campo.

Clubes surgiram e se firmaram.

Angariaram tradição e torcedores.

Futebol jogado no campo.

Aqui e ali bastidores.

Coronel Menezes era rubro negro.

Porém, vascaíno de filho.

Contrato de gaveta, miséria e submissão.

Afonsinho e Tostão versus Yustrichs de plantão.

Mas o futebol era jogado no campo.

Seleção era encanto e sonho.

Garrincha e infiltrações nas articulações do poder central.

Dez por cento.

‘Pai, afasta de mim esse contrato!’

‘Deixa comigo que seu filho fica rico!’

Os clubes acordaram pobres e miseráveis como os antigos craques.

Dívidas imensas.

Subvenção governamental.

Craques com Ferraris.

Pais com BMWs.

Empresários donos do gol.

A seleção era grade curricular pra vender o menino pro Oriente.

Vinte por cento.

Trinta por cento.

O dirigente abraça o empresário.

O empresário monta o elenco e escala o time.

O torcedor não entende.

Perna de pau entrando de frente.

Craque sentado no banco.

Bicho, catimbó e catimba no Museu do Futebol.

Quarenta por cento.

O comentarista elogia o perna de pau:

‘Chega junto!’

O amor à camisa lacoste.

O manto sagrado surrupiado no chão.

Empresário Futebol Clube campeão...

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6 comentários:

  1. Texto genial.

    Carlos Leite.

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  2. Por isso tem hora que eu digo coisas assim: esse time não é o meu. Não tem nada comigo. Quantas vezes não me vejo diante da TV torcendo contra a Seleção? Contra o Náutico, não! Porque o Náutico é eterno! Muda o goleiro, muda o técnico, muda o dirigente. Muda o designer da camisa. Mas as cores não mudam. Cores eternas! O Vermelho de luta, o Branco da Paz.

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  3. Perfeito, Roberto. Por essas e outras é que, para ser torcedor, é preciso ser um alienado. Certa feita, indo para uma partida importante, fui abordado na entrada do estádio por um desses dirigentes muito sabido que me segredou haver comprado um importante jogador adversário. Para mim estava quebrado todo o encanto da disputa. Como poderia me interessar por um jogo "de cartas marcadas" ? Dei meia volta e desisti da partida. Sabem o resultado: o Náutico perdeu e o atleta "comprado" fez o gol da vitória do nosso adversário... Por isso, prefiro não crer em bruxas; mas que elas existem, ah existem... E como !

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  4. MESTRE ROBERTO O TEXTO PSAREC E TER ENDEREÇO CERTO, ALGUEM DESCONFIA?

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  5. O futebol que eles querem não é o futebol que aprendemos a gostar, além de ser muito chato esse papo de que futebol é negócio e apenas isso, se for só isso não é futebol.

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  6. agora o futebol ama a dor.

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Comentários