Por
ROBERTO VIEIRA
O
quarto é simples.
Ivo
observa o garoto em febre.
Inútil
para o futebol.
Cirurgia.
Ivo
fecha os olhos e lembra.
Os
jornais são implacáveis.
Eletrocardiograma
de repouso alterado.
Inútil
para o futebol.
Uma
das grandes promessas do futebol brasileiro.
Inútil.
Thiago
delira.
O
banheiro é penitenciário.
A
mãe segura as mãos do filho.
Uma
lágrima surge nos olhos de Ivo.
A
bola correndo no meio campo do América.
Ivo
para Tadeu para Edu para Luisinho.
Gol.
Danilo
Alvim erguendo a Taça.
Ivo
nunca mais foi o mesmo.
Quando
corria e driblava?
Inútil.
A
seleção virou um sonho de uma noite de verão.
Inverno
russo.
Thiago
recebe o abraço do velho Ivo.
O
garoto podia ser seu filho.
O
garoto podia ser ele mesmo.
Frágil
nas estepes.
Ivo
decide mudar o destino.
Quem
sabe aquele menino possa voltar a sonhar.
Sonhar
o sonho que Ivo viu morrer nas páginas de jornais.
No
frio diagnóstico cardíaco.
Os
anos se multiplicam.
Ivo
sentado diante da TV, sorri.
O
menino coloca o dedo na cara de Iker Casillas.
O
menino que sabe tudo de bola ergue a taça.
Novo
em folha.
Ivo
desliga a TV e olha para as estrelas.
Quem
sabe?
Quem
sabe todo sofrimento não traga em si um gol nas redes do destino?

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