4 de jul. de 2013










Por NEWTON MORAIS, CONSELHEIRO DO CLUBE NÁUTICO CAPIBARIBE



Tenho grandes amigos no grupo que vem dirigindo o Náutico há bastante tempo. Considero-os competentes, dedicados e comprometidos com o Clube. Apesar disso, tenho sido um crítico ferrenho das últimas gestões que passaram pelo Náutico. E motivo é o que não falta. Os balanços contábeis da gestão de Maurício Cardoso foram rejeitados, enquanto que os referentes às de Berillo Júnior e Paulo Wanderley sequer foram submetidos à aprovação do Conselho Deliberativo. O passivo trabalhista e fiscal do Clube permanece crescendo, mesmo com o incremento substancial de nossas receitas anuais. Já tivemos Diretor emprestando dinheiro ao Clube a juros extorsivos e temos um Departamento de Marketing que é inoperante. Foi prometida uma auditoria permanente a partir do primeiro dia da atual gestão, mas, até hoje, esse assunto tem sido relegado, mesmo o Conselho Deliberativo tendo aprovado por unanimidade, há mais de dois anos, uma proposta do conselheiro Gustavo Krause para que fosse realizada uma auditoria no Clube a cada seis meses. Não existe planejamento estratégico para o curto, médio e longo prazos. No futebol, nosso desempenho tem sido pífio, principalmente devido à contratação de jogadores sem nenhum critério. Tem sido contratado, em média, 4 times por temporada, com um baixíssimo índice de aproveitamento, redundando em inúmeras ações trabalhistas, muitas delas de valor elevado.

A oposição tem a obrigação de fiscalizar o trabalho dos nossos dirigentes. E tem feito isso com muita seriedade e equilíbrio.

No entanto, entendo que também é nossa obrigação aplaudir os acertos da gestão. Afinal de contas, todos nós queremos o melhor para o Náutico. E, em minha opinião, o trabalho que vem sendo realizado pelo recém-criado Colegiado de Futebol é digno de elogios. Acertou na substituição do treinador por José Teodoro, que pode não ser o técnico ideal, mas demonstrou vontade de dirigir o Náutico, é honesto, trabalhador e recebe um salário compatível com a nossa realidade financeira. Apesar de todas as dificuldades, o Colegiado tem contratado jogadores de reconhecida qualidade. Sabemos como isso é difícil, principalmente quando comparamos nossa capacidade financeira com a dos demais Clubes da Série A. E não é fácil renovar quase todo o elenco em plena competição. Pelas informações que pude obter, todos os atletas contratados enquadram-se dentro da realidade financeira do Náutico. É evidente que não há garantia de acerto, mas, sem dúvida, nota-se que agora existe critério na seleção dos atletas.

Acrescento que essa visão é estritamente pessoal, não refletindo o pensamento do grupo de oposição. Muitos entendem que a criação do Colegiado teve cunho meramente eleitoreiro. Para mim, isso pouco importa. O que quero é um Náutico pujante e dando alegrias a sua torcida. Outros acham que devemos aguardar o desempenho da equipe para depois opinar, mas como aprovo a quase totalidade dos jogadores que já foram contratados, prefiro fazer esse manifesto antecipadamente, pois não é meu estilo assumir a cômoda posição de comentarista de resultados. E torço fervorosamente para ver o Náutico voltar aos seus grandes dias.


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14 comentários:

  1. Alexandre Carneiro Gomes4 de julho de 2013 às 15:47

    O comentário de Newton demonstra como é democrático o Movimento Transparência Alvirrubra, pautado pelo respeito às opiniões eventualmente divergentes, opondo-se construtivamente à gestão atual, elogiando, ainda que pontualmente, o que deve ser elogiado e, acima de tudo, torcendo fervorosamente para o nosso Náutico.

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  2. Nunca pensei que um dia fosse ler algo assim. Sensato, coerente, inteligente, sério e de quem de fato ama o nosso Náutico. Parabéns Newton.

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  3. AMIGO NEWTON: PESSOAS COM O SEU EQUILÍBRIO MERECEM TODO CRÉDITO NAS SUAS CRÍTICAS. MESMO PORQUE O RADICALISMO É O SUICÍDIO DA INTELIGÊNCIA...ORGULHO-ME DE SER SEU AMIGO.

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  4. Caro amigo Você está partindo de um pressuposto que não é o ideal, analisar a administração do clube somente pela aquisição de jogadores, pelo visto você está falando, apenas, como um torcedor. O nobre colega é conselheiro do clube, tem relevantes serviços prestados sem falar no trânsito e na boa relação que possui com todos os integrantes dos conselhos e da direção do clube. Neste caso penso diferente. Eu não posso fazer uma análise daquilo que é realizado pelo colegiado por que simplesmente eles não representam a gestão do clube, embora a sua grande maioria apoiou a atual gestão que representa a continuidade dos insucessos e das dificuldades que o clube enfrenta. Também não é políticamente correto fazer uma avaliação específica sobre a contratação desse ou daquele jogador sem ter o conhecimento aprofundado das negociações. Portanto, respeito a sua avaliação, enquanto amigo, mas discordo do contexto em que você avalia a gestão de futebol do clube, sem considerar todos os aspectos da contratação e descontextuando tudo que vem acontecendo no Clube Nautico Capibaribe.



    um abraço



    Carlos Lindberg Lins




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  5. A única ressalva que tenho às palavras de Newton,é em relação à postura do colegiado ao assumir o futebol alvirrubro.Eles agiram como se não tivessem nenhuma responsabilidade com a conduta da atual gestão de PW e Berillo,quando na verdade foram avalistas dos dois no período eleitoral.Ou seja,dão garantias para torcida e depois somem,voltando quando todo o planejamento foi jogado por água a baixo.Mas também temos de ter o discernimento,e saber elogiar os atos corretos de qualquer gestão,sabendo que todos(inclusive os membros do MTA) podem cometer erros administrativos,sem que aja má-fé,cabendo ao conselho coibir tais atitudes.
    Carlos Leite.

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  6. Marcelo Lins diz:
    Concordo com o texto do grande alvirubro Newton Morais, pois o time que estava sendo desenhado com o Goleiro de praia, Caion e cia era uma verdadeira piada. As dívidas trabalhistas no clube é algo gritante como a de um preparador físico com R$600.000,00 a receber de salários ameaçando inclusive nosso patrimônio. O Colegiado precisa inclusive do nosso apoio, pois independente de posições partidárias é fundamental ficarmos na 1 divisão.

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  7. Caro Lindberg,
    Pelo visto, você não entendeu o texto que escrevi, pois iniciei o mesmo com críticas à administração do Clube.
    A avaliação positiva que fiz foi pontual, focada exclusivamente no atual trabalho do Colegiado de Futebol. Não entrei no mérito da responsabilidade que a maioria de seus membros tiveram no tocante à eleição de nossos últimos gestores nem, tampouco, se o colegiado foi criado com cunho eleitoreiro. O que deixei claro é que se eu fizesse parte desse Colegiado estaria de acordo com quase todas as contratações que foram feitas, pois elas têm sido criteriosas em função do histórico desses atletas. E o salário desses novos jogadores têm sido até menores do que eu supunha. Agora, certeza de que vai dar certo nunca vai existir, mesmo se tivéssemos contratados Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo.
    E, claro, concordo com você de que a gestão de um clube não se restringe ao futebol profissional.
    Um grande abraço.

    Newton

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  8. Caro amigo Newton você é um torcedor incondicional e não é o único que enxerga o clube por essa ótica. Todos nós temos vários amigos no clube, mas não podemos descontextualizar contratação de jogador com a gestão do Clube Náutico Capibaribe. A situação do Náutico é lastimável sob todos os aspectos que você analisar. No futebol só este ano já contratamos por volta de 30 jogadores sem contar os 10 que restaram do ano passado. Renovamos contratos de dois anos e compramos parte dos direitos federativos do goleiro Felipe e estamos prestes a dispensá-lo. O Jean Holt e o Martinês 02 anos de contrato com problemas crônicos com uma relação de custo/beneficio muito baixo, jogadores de baixa qualidade que nem chegarem a estrear. Os desmandos do grupo foram tantos que tiveram que fazer uma intervenção e já vão mais 16 contratações de atletas. Quer dizer algo está muito errado. Eu espero algum dia ver a contratação de jogador como uma dinâmica de gestão e não como uma forma de resolver problemas de afogadilho para tentar salvar o clube de uma segunda divisão. Portanto caro Newton se queremos um Náutico diferente, grande, forte e vencedor não podemos amá-lo de forma incondicional, por que perdemos a visão critica e isso favorece àqueles que na retórica dizem que amam o Náutico, mas por trás se locupletam da condição de grandes alvirrubros.

    Carlos Lindberg Lins

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    1. Lindberg,
      Parabéns bela bela explanação !
      Chico Avelar

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    2. O texto é absolutamente crítico, agregando um exercício de futurologia com relação as novas contratações feita pelos 17 moicanos.A verdade é que reestrearemos sábado com um time medíocre,quem chegou não vai jogar tão cedo (por isso ou aquilo)e os enganadores do chinelinho continuam mamando.Não enxergo o que elogiar nesses 17 coresponsáveis pela indigestão do CNC,até agora. Espero que dê tudo certo, certíssimo. Mas pelo curriculo desse povo não aposto 10 centavos!

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  9. Caro Lindberg,
    Sejamos pragmáticos. Se uma pessoa está morrendo afogada temos que tentar salvá-la e não querer ensiná-la a pescar. Acho que o texto que escrevi deixa claro que discordo do modelo de gestão adotado pelas pessoas que vêm dirigindo o Clube nos últimos anos. Isso não me impede de elogiar as medidas que considere acertadas. Com a mesma veemência com que faço as críticas – nunca pessoais e sempre em defesa do Clube – aplaudirei quando entender que a gestão acertou. Não podemos ter a pretensão de achar que somente nós podemos salvar o Náutico.
    Concordo com você que o Náutico encontra-se gravemente doente em decorrência de sucessivos desmandos administrativos. Mais uma vez, fizemos péssimas contratações e naufragamos no Campeonato Pernambucano. A queda para a Série B tornou-se iminente e, todos nós sabemos, as consequências desse rebaixamento serão desastrosas para o Náutico. Intervenção ou não, formou-se um Colegiado que acendeu uma luz no final do túnel. Para minha alegria, as contratações passaram a ser criteriosas. Devo me omitir apenas porque sou oposição? Evidente que não. Ao contrário, faço questão de registrar minha aprovação e contentamento. E, como frisei no texto, é tarefa árdua montar um novo time com a competição em andamento. Ainda corremos sérios riscos de rebaixamento. Vamos torcer que dê certo. Estou otimista.
    Em relação às contratações de 2013, foram 26 no total, já contando com as de Ricardo Berna e Flávio Boaventura. Foram 14 antes da formação do Colegiado (Luiz Eduardo, Marcos Paulo, Vinícius Pacheco, Bruno Collaço, Giovanni Augusto, Élton, Maranhão, Jones Carioca, Rodrigo Souto, Alcides, Élington, Caion, Adeilson e Magrão) e 12 pelo Colegiado (Luiz Eduardo, João Felipe, William Alves, Hugo, Derley, Eltinho, Angelo Peña, Olivera, Diego Morales, Jota Belusso, Ricardo Berna e Flávio Boaventura).
    Um forte abraço.

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  10. Se vendermos os Aflitos, como uns queriam, contratarmos Messi e Cia e formos Campeões pernambucanos, semi finalistas da Copa do Brasil e mais, incrível colocação de quinto lugar no Brasileiro com vaga a Libertadores, lindo não? Resultado, 300 MI queimados, dívidas trabalhistas e cara de pau de mais uma chapa de Primeira. Hoje é a mesma coisa com a diferença de 10 anos sem um mísero título, trapalhadas, notícias vergonhosas dia sim dia não. Ia esquecendo, a semelhança do rombo financeiro aumentando. Chico Avelar

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  11. Companheiro Newton. Sou daqueles muitos que emitem cheque em branco, mas apenas para portadores confiáveis. Seria este seu caso?

    Joaquim Araújo

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  12. Por acaso escolher uma pessoa para candidato á Presidência não seria como que lhe dar um "cheque em branco" ?
    Wellington Albuuerque

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Comentários