Por CARLOS LINDBERG
O futebol move paixões. Com essa avalanche de
sentimentos perdemos o senso crítico e tendemos a analisá-lo somente pelo
aspecto de seus resultados (vitórias e derrotas). Nesse sentido damos pouca
ênfase ao processo de gestão e valorizamos demasiadamente a contratação de
atletas e jogadores como a melhor forma de se atingir os objetivos.
Quando não temos a percepção exata do processo e
trabalhamos com objetivos de curtíssimo prazo a tendência é dar ênfase
exagerada aos meios para justificar os fins e aí se corre o perigo de errar
muito mais do que acertar.
O
sucesso a qualquer preço. No caso do futebol, tendemos a horizontalizar as
medidas de gestão, dando mais ênfase à contratação de atletas em detrimento da
organização e do planejamento. Em uma frase o Paul Bear Bryant, técnico do
futebol americano, resumiu a essência do resultado no futebol com a seguinte
frase:
“Não é
a vontade de vencer que importa – todo mundo tem isso. O que importa é a
vontade de se preparar para vencer”.
Em qualquer
atividade profissional ou empresarial o planejamento é a condição sine qua non para se atingir objetivos.
No mundo competitivo como o nosso, onde a informação deixou de ser uma
exclusividade e a tônica é a criação a partir da percepção exata da necessidade
de uma camada social, as empresas de sucesso precisam alinhar seus objetivos
estratégicos como a essência de sua atuação.
O futebol não é
diferente. Todas as frustrações e alegrias vão para as arquibancadas que
explode de forma positiva ou negativa a depender dos resultados. E o que vemos
é que os nossos clubes estão pouco preparados para o desafio de transformar
toda essa paixão em negócios positivos e sustentáveis para os clubes.
Por outro lado o que observamos na maioria dos
clubes é que existe uma fragilidade enorme na condução dos seus objetivos,
simplesmente pela falta da atuação consistente das instâncias de poder.
Ao invés do Conselho Deliberativo ser um órgão de
controle das administrações, definindo, metas, objetivos e direcionando a
atuação do executivo dentro das necessidades do clube, os presidentes eleitos
assumem completamente esse papel com uma visão de curto prazo, onde geralmente
a tônica são, apenas, os resultados a qualquer custo.
Com isso se gasta o que não pode, de uma forma
desproporcional, gerando passivos de difícil recuperação.
E qual a saída?
Bem a saída é inverter a lógica atual da maioria dos clubes brasileiros. É
necessário rever conceitos. E nessa nova visão precisamos pensar o clube a
partir de sua organização interna e de seus conceitos enquanto empresa, com uma
visão de curto, médio e de longo prazo. É preciso criar mecanismos de controles
internos com estruturas organizacionais adequadas ao seu funcionamento e às
necessidades financeiras.
O Conselho Deliberativo precisa tomar as rédeas e
ter conhecimento efetivo de tudo que se passa no clube para, a partir daí,
orientar a atuação dos executivos com vistas a obter os melhores resultados
dentro de uma visão de longo prazo.
É inadmissível que os clubes brasileiros, com o
faturamento que possuem, atuem sem uma governança corporativa que proporcione
credibilidade, segurança e controle das gestões. O que vemos é que tudo
acontece sem os sócios e torcedores tenham a noção exata do que foi realizado,
limitando-se apenas as alegrias ou frustrações dos resultados nas
arquibancadas.
Carlos Lindberg Lins
Administrador e Conselheiro do
Clube Nautico Capibaribe

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