14 de jul. de 2013




Por CARLOS LINDBERG      
      





O futebol move paixões. Com essa avalanche de sentimentos perdemos o senso crítico e tendemos a analisá-lo somente pelo aspecto de seus resultados (vitórias e derrotas). Nesse sentido damos pouca ênfase ao processo de gestão e valorizamos demasiadamente a contratação de atletas e jogadores como a melhor forma de se atingir os objetivos.

Quando não temos a percepção exata do processo e trabalhamos com objetivos de curtíssimo prazo a tendência é dar ênfase exagerada aos meios para justificar os fins e aí se corre o perigo de errar muito mais do que acertar.

O sucesso a qualquer preço. No caso do futebol, tendemos a horizontalizar as medidas de gestão, dando mais ênfase à contratação de atletas em detrimento da organização e do planejamento. Em uma frase o Paul Bear Bryant, técnico do futebol americano, resumiu a essência do resultado no futebol com a seguinte frase:
 “Não é a vontade de vencer que importa – todo mundo tem isso. O que importa é a vontade de se preparar para vencer”.

Em qualquer atividade profissional ou empresarial o planejamento é a condição sine qua non para se atingir objetivos. No mundo competitivo como o nosso, onde a informação deixou de ser uma exclusividade e a tônica é a criação a partir da percepção exata da necessidade de uma camada social, as empresas de sucesso precisam alinhar seus objetivos estratégicos como a essência de sua atuação. 
 
O futebol não é diferente. Todas as frustrações e alegrias vão para as arquibancadas que explode de forma positiva ou negativa a depender dos resultados. E o que vemos é que os nossos clubes estão pouco preparados para o desafio de transformar toda essa paixão em negócios positivos e sustentáveis para os clubes. 
   
Por outro lado o que observamos na maioria dos clubes é que existe uma fragilidade enorme na condução dos seus objetivos, simplesmente pela falta da atuação consistente das instâncias de poder.

Ao invés do Conselho Deliberativo ser um órgão de controle das administrações, definindo, metas, objetivos e direcionando a atuação do executivo dentro das necessidades do clube, os presidentes eleitos assumem completamente esse papel com uma visão de curto prazo, onde geralmente a tônica são, apenas, os resultados a qualquer custo.

Com isso se gasta o que não pode, de uma forma desproporcional, gerando passivos de difícil recuperação.

E qual a saída? Bem a saída é inverter a lógica atual da maioria dos clubes brasileiros. É necessário rever conceitos. E nessa nova visão precisamos pensar o clube a partir de sua organização interna e de seus conceitos enquanto empresa, com uma visão de curto, médio e de longo prazo. É preciso criar mecanismos de controles internos com estruturas organizacionais adequadas ao seu funcionamento e às necessidades financeiras.

O Conselho Deliberativo precisa tomar as rédeas e ter conhecimento efetivo de tudo que se passa no clube para, a partir daí, orientar a atuação dos executivos com vistas a obter os melhores resultados dentro de uma visão de longo prazo.

É inadmissível que os clubes brasileiros, com o faturamento que possuem, atuem sem uma governança corporativa que proporcione credibilidade, segurança e controle das gestões. O que vemos é que tudo acontece sem os sócios e torcedores tenham a noção exata do que foi realizado, limitando-se apenas as alegrias ou frustrações dos resultados nas arquibancadas.


Carlos Lindberg Lins

Administrador e Conselheiro do Clube Nautico Capibaribe

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