23 de jul. de 2013






No dia 24 de janeiro de 1919, Pernambuco recebe o Botafogo Foot-Ball Club, entrando definitivamente na história dos grandes clássicos do futebol brasileiro. O convite realizado pelo Sport Club do Recife e aceito pelos cariocas, vinha se somar aos amistosos realizados em Recife pelo Clube do Remo do Pará e pela A.A. Palmeiras de São Paulo.

Os botafoguenses chegaram a bordo do Itaquera, sendo recebidos por cerca de 3 mil torcedores no cais do Porto do Recife. Em seguida, um corso de trinta automóveis seguiu pelas ruas 1° de Março, Nova e Imperatriz, parando na Helvética para merecido lanche. Neste momento, foram saudados pelo futuro governador de Pernambuco, o usineiro e jornalista, Carlos de Lima Cavalcanti. O Botafogo se instala no luxuoso casarão Mourisco da família Loyo, situado na rua do Benfica n° 786. As refeições ficam a cargo do Hotel do Leite. 

O elenco botafoguense era de primeira linha. O célebre arqueiro Cazuza, originário das categorias de base do alvinegro e campeão carioca pelo Flamengo em 1912/13/14, era barreira intransponível aos adversários. A zaga trazia o talento brasileiro de Osny, capitão da equipe e a garra platina de Alfredo Monti, trazido do time uruguaio do Wanderes. O meio campo era formado por Francisco Policce, Oswaldo Pessoa, o Vadinho e Paulo Burlamaqui. Celso Coelho Souza, Periot, Benedito Rodrigues dos Santos, Candiota e Neco formavam o ataque arrasador.

No primeiro jogo em Pernambuco, o Botafogo passou por cima do Sport por 6 a 1. A cidade aplaudiu a goleada alvinegra como prova definitiva da categoria dos visitantes. Não houve surpresa. Mas, eis que de repente, o Santa Cruz aparece na parada e vira o jogo diante do Botafogo com dois gols do futuro médico e senador, Martiniano Fernandes. O resultado de 3 a 2 abala os cariocas – é a primeira vitória de um clube nordestino diante de um clube do sudeste brasileiro - e transforma o jogo seguinte em questão de vida ou de morte. E o jogo seguinte é diante do América, campeão do estado.

O América sonha, porém, Zé Tasso está machucado. A equipe alinha Jorge Tasso; Alesi e Ayres; Rômulo, Bermudes e Soares; Karl, Ziza, Juju, Peres e Lapinha. A experiencia de Bermudes e Peres é fundamental para uma pugna desta envergadura, mas Juju é muito jovem para romper a forte dupla de zaga botafoguense composta por Osny e Monti.

Aos 21' Candiota abre o marcador após receber a bola em impedimento. O tento abala os pernambucanos e Alesi faz penalti em Candiota. A cobrança sai fraca, mas José Tasso não consegue deter o rumo da pelota: Botafogo 2 a 0. A derrota parecia certa quando Police e Candiota saem machucados. O Botafogo se tranca na defesa e o América investe com fúria. Os cariocas conseguem segurar o marcador na segunda etapa com a valentia de nove jogadores e um show de bola de Osny e do uruguaio Monti.

A derrota não impede o América de organizar um baile em homenagem aos visitantes. O futebol ainda é feito de camaradagem. Na sequencia, o Botafogo concede revanche ao Sport e vence por 1 a 0 e perde da seleção da Liga Pernambucana por 4 a 2 – outra vitória comemorada com frevo e folia no Recife, além dos inúmeros telegramas de felicitações das agremiações interioranas como o Colombo de Limoeiro.

A história registra que o time da Liga tem em sua formação, quatro craques do América: Ayres, Alesi, Bermudes e Peres I. Quatro que poderiam ser cinco, caso Zé Tasso estivesse em condições de jogar seu imenso futebol.


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