Em sua memorável história, o América enfrentou os
maiores clubes do Brasil com raça e técnica. Vale a pena relembrar alguns
destes jogos diante dos cracaços de bola que visitaram Pernambuco com suas
chuteiras imortais.
O primeiro clube a ser lembrado é o Flamengo. Foram cinco partidas diante do mais querido do Brasil. A primeira no longínquo 27 de janeiro de 1925, uma sonora goleada carioca por 6 a 1 com destaque para os quatro gols de Junqueira. A partida marcou a despedida da sensacional excursão do Flamengo a Pernambuco, na qual, o rubro-negro carioca levou de roldão até a seleção pernambucana.
Em 1951, o Flamengo recebeu o América em General Severiano e venceu novamente, desta vez por 3 a 0. Dequinha não atuou contra seu ex-clube e o atacante Hermes marcou duas vezes, cabendo a Paulinho completar o marcador. O troco ocorreu no dia 17 de maio de 1955, estádio da Ilha do Retiro.
Um misto do Flamengo excursionando pelo Nordeste, trazendo Aníbal no gol, Dequinha no meio campo e Moacir no ataque, aceitou medir forças com o América do técnico Palmeira, campeão do Torneio Início daquele ano.
O técnico Palmeira armou sua equipe na diagonal de Flávio Costa. Miguel; Perinho e Antoninho; Claudionor, Gilberto Farias e Mourão; Jarbas, Moacir, Mitchel, Dario e Gilberto II. O Flamengo entrou com Aníbal; Marinho e Dilson; Milton, Dirceu e Paulo; Alaor, Vermelho, Hermes, Moacir e Maurício.
O jogo se resumiu ao início arrasador do América. Aos 7 minutos de jogo, Claudionor lança Dario que dribla toda a retaguarda rubro-negra e entra, com bola e tudo, nas redes defendidas por Aníbal. Três minutos depois, é chegada a vez de Gilberto II fazer um passe em profundidade, deixando Mitchell cara a cara com o arqueiro carioca: América 2 a 0. O Flamengo ainda diminuiu, gol de Hermes, o mesmo Hermes que marcara duas vezes contra o América em 1951, e foi só. Fazendo a bola rolar de pé em pé, nem mesmo a entrada de Dequinha no lugar de Alaor conseguiu mudar o marcador.
Três décadas se passaram, o último jogo entre as equipes aconteceu em 1988 no improvável estádio da Associação Rural de Petrolina. Com gol solitário de Flávio, o Flamengo de Aldair, Bebeto e Zinho, campeão da Copa União de 1987, conseguiu sobrepujar a forte retranca pernambucana.
Porém, não se pode falar de América x Flamengo, sem mencionar o jogo mais sensacional entre as equipes, ocorrido no dia 7 de abril de 1946. O América tinha o timaço de Leça; Lucas e Galego; Pedrinho, Capuco e Arnaldo; Zezinho, Julinho, Djalma, Edgar e Valdeck. Mas o Flamengo tinha 'Ele'. Luís Borracha; Newton e Norival; Laxixa, Bria e Jaime; Adílson, Zizinho, Pirilo, Perácio e Vevé.
Ele se chamava Zizinho.
15h40. O jogão começa. Aos 8 minutos, Galego rebate mal e a bola sobra nos pés de Sílvio Pirilo. O chute sai certeiro e Leça nada pode fazer. Flamengo 1 a 0.
O América bate o centro e equilibra as ações. Jogo duro. Até que aos 34 minutos. Zezinho bate Jaime e Norival cruzando na cabeça de Edgar: 1 a 1. Luís Borracha paga geral. Pena que, dois minutos depois, Lucas se assusta com Perácio e bota a mão na bola. Pênalti que Zizinho converte com um tirambaço: 2 a 1.
O Flamengo troca Perácio por Tião. O América sentiu o segundo gol. Adílson lança Pirilo na corrida, o chute sai novamente certeiro, longe do alcance de Leça. Flamengo 3 a 1. Intervalo. Na volta para o segundo tempo, Borracha faz milagre. Bobeira. Norival faz pênalti. Zezinho cobra forte, pra fora.
Lá e cá, Adílson anota mais um para o Flamengo e o jogo termina 4 a 2. O Flamengo feliz com o resultado. O América tendo pesadelos com as cobranças de Zezinho. Quem foi pra ver Zizinho, saiu extasiado com a técnica de Julinho.

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários