Por
ROBERTO VIEIRA
Não
é caso de má fé. Trata-se quem sabe do desconhecimento histórico
de cada brasileiro. Porém, o comando de greve das universidades
federais insiste em dizer que nunca antes na história desse país
houve movimento igual a esse. Como esta semana na CBN, no programa do
Mestre Aldo Vilela. Mas não é verdade.
A
greve de 2012 é estapafúrdia em sua duração, mas não se compara
ao movimento de 1982 quando professores e estudantes batalharam
contra reitores a serviço do Regime e contra a ditadura em forma de
tanques e soldados nas ruas.
As
universidades em 1982 estavam sucateadas. Caindo aos pedaços. Eu
mesmo me espantei ao conhecer o Básico de Medicina. Pernambuco?
Tinha o agravante da troca do Pedro II pelo Hospital das Clínicas -
Pedro II que havia sido torpedeado pela retirada de verbas desde os
anos de chumbo 60.
Hospital
das Clínicas que era a menina dos olhos do Poder. Obra engendrada
nos anos 50. Inaugurada a toque de caixa com tijolos e andares
dispersos em profusão.
Os
estudantes se espalhavam pelos quatro cantos da região
metropolitana. Exilados do Pedro II, outrora um dos maiores centros
acadêmicos do Brasil. As salas de cirurgia sumiam. Eram onze no
Pedro II. Tornaram-se três no HC. Três que não funcionavam.
Junto
com o caos universitário veio a política de esquerda para
aproveitar o caos e semear os ventos da mudança.
Resultado?
Um
semestre perdido.
Ilusões
jogadas ao léu.
E o
sonho de que a democracia iria transformar o mundo.
Trinta
anos depois, nas águas de quem dizia ter todas as soluções, a
educação experimenta o mesmo gosto amargo de solidão.
O
Poder? Mudou de mãos.
Mas
os poderosos? São os mesmos de plantão com outros bigodes.
Educação
tira voto.
Povo
educado e unido é povo subversivo!

"Quem não conhece a História está condenado a repeti-la". "Nada mais parecido com um conservador do que um revolucionário no Poder".
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