24 de jun. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA


A FIFA é a Inglaterra do século XXI.

Inglaterra, antiga dona dos mares.

Milagre do futebol.

Uma entidade esportiva comandando presidentes.

PrimeiroS ministros.

Façam estrada ali.

Botem metrô aqui.

Bebida pode.

Aquele refrigerante não pode.

Áreas VIP.

Áreas VVIP.

Vila para os patrocinadores.

Estacionamento reservado.

Faltou apenas solo santo especial para os dirigentes.

A FIFA responde.

'Fomos convidados'.

Como respondiam os súditos da Rainha Vitória.

Corretíssimo.

O sonho de realizar a Copa do Mundo é universal.

Os plebeus anseiam pelos craques.

Os patrícios, pelos contratos.

Bilhões de dólares prometidos em iniciativa privada.

Terminam sendo emprestados pelos bancos públicos.

A melhoria dos serviços imaginada na carta de intenções.

Desaparece na realidade corrupta dos corredores do Poder.

A FIFA é a Inglaterra do século XXI.

Inglaterra, antiga dona dos mares.

O futebol, antiga paixão popular.

Perdeu-se nos labirintos da grana a todo custo.

Ingressos caros.

Povão distante do cenário de jogo.

Arenas multiuso no lugar de um simples e decente campo de futebol.

Clubes-empresa no lugar de Clubes-coração.

Fair play da boca pra fora.

Negócios escusos na calada da noite.

A centenária FIFA de Jules Rimet.

Agora abriga Francis Drake e sua turma.

FIFA que tem pela frente mares revoltos.

Pois pela primeira vez na história.

A população de um país decidiu dizer não.

As cenas dos próximos capítulos podem mudar o futebol.

Podem mudar o Brasil.

Ou podem não mudar absolutamente nada.

Mas seria uma das ironias desse mundo.

Que justamente no país do futebol.

A dona da bola perdesse o jogo e o butim...


* Descobri agora que o termo foi cunhado pelo Macaco Simão semana passada...


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