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5 de jun. de 2013
DOUTOR NAVA, 110
Por ROBERTO VIEIRA
Estás velho, Nava,
velho e tantã.
Por que andas por aí apaixonado?
Não sabes que toda paixão na tua idade é baú de ossos?
Círios perfeitos são para os jovens,
os eleitos,
tu padeces no leito da velha obsessão de quem possui o que não quer
e ama o que não pode possuir.
Foste feliz?
A medicina te deu conforto e prazer?
Ou ainda resiste em ti aquela procura enlouquecida dos tempos juvenis?
Aquela procura que tens tatuada em ti?
Te preocupas demais com o que outros pensam,
o que os outros imaginam,
o que os outros vão dizer.
Mas entendo o desatino,
são os fantasmas de menino,
as vozes dos teus pais.
ecos colossais do que não pode ser sentido.
Estranho, Mestre Nava, muito estranho,
um escritor que tudo pode nada pode sendo um homem
que sofre por não solfejar
o amor que não ousa dizer seu nome...

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