Por ROBERTO VIEIRA
Fantasmas no palácio.
Dilma observa o homem pequeno,
quase sem pescoço.
Meio perdido.
Muito melhor o Catete.
‘Futebol não é o ópio do povo,
filha!’
Dilma arregala os olhos.
O fantasma fala.
‘Nem ligue pras vaias no Maracanã...’
‘E o Mendes?’
‘Mendes imaginava que seria canonizado...’
O fantasma afasta as correntes.
Como pesam!
‘Esqueceu de avisar os uruguaios’
‘As ruas estão nervosas’
‘Era mais fácil quando você estava
do lado de lá, não é?’
Era. Pedra. Difícil ser vidraça.
‘Muita gente tentou domesticar o
futebol, Dilma’
Correntes.
‘Getúlio, Juscelino, Jango, Emílio...’
‘Mas você me diz que não
funciona...’
‘Pode ter certeza!’
‘Ganhar ou perder a Copa das
Confederações não muda nada!’
E desaparecendo nas trevas.
‘Amanhã Dona Santinha vem te conhecer...’

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