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4 de jun. de 2013
COLUNA DO ARSENIO - GRACILIANO E A COMISSÃO DA VERDADE
Por ARSENIO MEIRA
Graciliano, preso provisório, jamais formalmente acusado, jamais ouvido em defesa, posto às grades em virtude de um processo inexistente. Mulher e filhos sem ter para onde ir. Nos últimos instantes, consegue um advogado para a causa nenhuma. Ninguém menos que Sobral Pinto. Católico fervoroso. O Eterno causídico de Barbacena que se notabilizaria por usar a lei de proteção aos animais para defender presos políticos. Que jamais deixaria suas convicções religiosas atravancasse seu quase que santo ofício de defender com sua perícia e habilidade incomuns, a ferro e fogo, ateus.
Essas circunstâncias jurídicas já são aterradoras, mas parece que não foram bastantes para a Comissão da Verdade, instalada recentemente, admitir competência para investigá-las. Uma Comissão da Verdade com memória curta, formalmente concentrada para o período de 1946 a 1988. Ou seja, a violação dos direitos humanos perpetrada no Estado Novo foi posta de lado. Varrida para debaixo do tapete, tal poeira incômoda.
Por esse olvidamento, dói ainda mais reler estas "Memórias do Cárcere", quase intitulado, secamente, "Cadeia". Publicação póstuma, o escritor alagoano, vitimado pelo câncer de pulmão, relatara dias antes a parentes que era "tarefa de uma semana" a conclusão. Pendente apenas descrever "sensações de liberdade" no capítulo final. Final que não houve. Não importa. Faz bem revisitar estas memórias.
Revejo os passos de Graciliano Ramos, Nise da Silveira, Olga Prestes, Elisa Berger, Maria Wernek, e outros guerreiros de sedição, dentro do pavilhão odioso. Conhecer melhor todos que, da grade para dentro, estavam do lado certo da história. Quando um desses políticos de nossos tempos tece loas ao nome de Getúlio Vargas, lembro-me desse livro, dessas pessoas, do que eles passaram.
Lembro-me de um número: 14 mil mortos ou desaparecidos sob o padrinho da maioria dos políticos brasileiros. Getúlio, que nessa época, assistia o desfecho "veloz" da fracassada Intentona e o instinto genocida de Filinto...

Excelente,João Rubronegro!
ResponderExcluirCarlos Leite.
Me engana que eu gosto! Eu sei que o estilo inconfundível é o do pai de José Vicente, certeiro como um lançamento de Ribamar mas... Arsênio tá escondido nas Highlands ouvindo Mind Games e tomando Pitucola.Eu hein ? Seria sensacional se fosse mesmo o João Rubronegro!
ResponderExcluirGrande Carlos e Johnny, kkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirSou eu mesmo.
Curtindo a tri-ressaca de um tri-vice campeonato,... Ouvindo Mind Games, com a cabeça latejando de tanta porrada !
Mas José, o meu filho, cura tudo!
Grande abraços pra vocês do amigo
Arsenio