Prezado Chico,
Permita que assim o trate.
Os sessenta e nove anos chegaram com o povo nas ruas.
Como naquele 28 de junho de 1968.
Lembra?
Pois é.
Não existem camisas amarelas.
Nem vale a penas pensar na Construção das Arenas.
Resta apenas o samba popular, Chico!
Os paralelepípedos da velha cidade a se arrepiar.
Ao lembrar que em sessenta e nove anos passaram sambas imortais.
E que por estas ruas sambaram nossos ancestrais.
Ah, o tempo, Chico!
Página infeliz da nossa história.
O tempo anda com a cabeça pelas tabelas.
O grito de gol ficou guardado na retina mensalista.
O descalabro dos bois voadores do Congresso.
Dos marimbondos de fogo do Planalto.
Do trem da alegria na posse do Papa.
Da copa super-hiper-faturada.
Tudo isso imaginando que a gente ia ver a Banda passar.
Tudo isso me conduz ao fato.
Barões famintos e Napoleões retintos exultaram.
Ruas de Salvador.
O cartaz falando no 'Cale-se'.
O mesmo Cálice teu e do Gil.
Setecentos anos depois.
Pois se é pra beber dessa bebida amarga,
melhor beber ao som do Velho Chico...
Mas tem muito político torcendo pra que amanhã seja outro dia.


Bela homenagem,Roberto!
ResponderExcluirCarlos Leite.