Por ROBERTO VIEIRA
Não eram onze homens e um destino.
Eram cento e onze homens e um destino.
Itamar Franco assumia o governo.
Collor afirmava que saía limpo.
Lépido e solto.
Maluf versus Suplicy.
A manchete com os corpos estendidos no chão.
Dinho, Cerezo e Raí.
O Majestoso no Morumbi.
Os corpos desabam na lama de sangue.
Gol, gol, gol, gol, gol.
Auchwitz paulistano.
Fleury não deu a ordem.
‘Não me mate, não me....’
Baionetas furam os detentos pelo chão.
‘Está morto!’
‘Não está!’
Bandido bom é bandido morto.
Eles não sabem o que fazem.
Emília e Maria Isabel viram os corpos alvejados.
Rogai por nós pecadores.
Dia parcialmente nublado em São Paulo.
Era um garoto que como eu.
Ra ta ta ta.
Não eram onze homens e um destino.
Eram cento e onze homens e um destino.
Mas um cartaz afirmava que eram duzentos e oitenta.
Darcy dizia que eram trezentos.
São Paulo 3 x 0 Corinthians.
A equipe do IML chora.
Marcos José dos Santos se esconde entre os corpos.
Leva uma estocada no pé.
Não grita.
Sobrevive.
A ditadura e seus horrores renasce.
2 de outubro de 1992.
Quem salva uma vida salva um mundo inteiro.
Não existiu perdão em Carandiru.
Mas o Ibirapuera levava você.
Ao mundo encantado no Dia da Criança...

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários