8 de abr. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA               



Não eram onze homens e um destino.

Eram cento e onze homens e um destino.

Itamar Franco assumia o governo.

Collor afirmava que saía limpo.

Lépido e solto.

Maluf versus Suplicy.

A manchete com os corpos estendidos no chão.

Dinho, Cerezo e Raí.

O Majestoso no Morumbi.

Os corpos desabam na lama de sangue.

Gol, gol, gol, gol, gol.

Auchwitz paulistano.

Fleury não deu a ordem.

‘Não me mate, não me....’

Baionetas furam os detentos pelo chão.

‘Está morto!’

‘Não está!’

Bandido bom é bandido morto.

Eles não sabem o que fazem.

Emília e Maria Isabel viram os corpos alvejados.

Rogai por nós pecadores.

Dia parcialmente nublado em São Paulo.

Era um garoto que como eu.

Ra ta ta ta.

Não eram onze homens e um destino.

Eram cento e onze homens e um destino.

Mas um cartaz afirmava que eram duzentos e oitenta.

Darcy dizia que eram trezentos.

São Paulo 3 x 0 Corinthians.

A equipe do IML chora.

Marcos José dos Santos se esconde entre os corpos.

Leva uma estocada no pé.

Não grita.

Sobrevive.

A ditadura e seus horrores renasce.

2 de outubro de 1992.

Quem salva uma vida salva um mundo inteiro.

Não existiu perdão em Carandiru.

Mas o Ibirapuera levava você.

Ao mundo encantado no Dia da Criança...


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