29 de mar. de 2013








Em 1955, o América contava com a segurança de Leça no arco e a classe de Dimas no ataque. Porém, os dirigentes esmeraldinos queriam mais. Eis que de repente, o técnico Palmeira, recém-contratado, chega da vizinha Guiana Holandesa, trazendo verdadeira legião de jogadores desconhecidos, ansiosos por jogar na terra do futebol.

De uma só levada, chegaram nas asas da Panair pelos braços de Palmeira, Stanley, Humphrey, Franklin e Mitchell, quatro atletas a balançar ainda mais o outrora pacato futebol pernambucano. A transação foi fruto de um período em que as contratações dos astros Barbosa pelo Santa Cruz e Osvaldo Balisa pelo Sport, impregnavam a imaginação dos torcedores. E o que poderia ser mais surpreendente que a importação de quatro guianenses?

O caso porém, é mais complexo do que entende nossa filosofia. O técnico Palmeira na verdade, combinado com os Moreira, decidiu unir o útil ao agradável. Naquele tempo, um habitante da Guiana tinha o direito de vir morar no Brasil trazendo seu próprio veículo. Sabedor da brecha na Lei, Palmeira e os Irmãos Moreira, proprietários de uma revenda de automóveis, importaram o bom futebol jogado pelos craques do Suriname e quatro belos carros fabricados no estrangeiro. Para espanto dos rivais e aplausos dos torcedores esmeraldinos.

O centromédio Humphrey era bom de bola, mas pela velocidade e faro de gol, Mitchell foi o craque que despertou mais atenção no certame pernambucano. Ao lado dos brasileiros Dimas e Dario, Mitchell pôde mostrar toda sua classe, sendo antecessor dos gênios da bola nascidos no Suriname, que ganhariam fama no futebol mundial nos anos 90. 

Astros imortais como Ruud Gullit, Frank Rijkaard, Edgar Davids e Clarence Seedorf.

O América, muito antes portanto do resto do mundo, já sabia que a bola corria redonda na antiga colônia holandesa. 


2 comentários:

  1. Para mim, o maior craque que já passou pelo Amárica foi o meia NECA, vindo do Botafogo do Rio. Jogador alto, de bom porte físico e excelente técnica. Embora armador, fez vários gols com a camisa esmeralda. Náutico e Sport "babavam" por ele que, por um desses mistérios do futebol, não teve, no cenário nacional, a projeção merecida.

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  2. Apresso-me em corrigir. É que me lembrei de DEQUINHA. Realmente ele foi o maior craque que passou pelo América, do Recife. Pelo menos em projeção nacional, obtida com a camisa do Flamengo, o centro-médio de Mossoró, foi mesmo ainda maior do que NECA.

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Comentários