O
estado de Alagoas deu ao América o talento de Dequinha, a categoria
de Vicente e a valentia de Tomires, apelidado 'O Cangaceiro'. Com
Tomires, atacante só entrava na grande área munido de muita
coragem. Símbolo do futebol feito de músculos e raça, Tomires não
ligava pra esse negócio de drible e firula. Tomires ia em cada lance
como num prato de comida.
Tomires
de Souza Galvão, nasceu no 8 de fevereiro de 1928 na cidade de Barra
de Santo Antônio. Iniciando sua carreira no Clube de Regatas Brasil,
mais conhecido como CRB, mesmo clube de onde se originou o arqueiro
Vicente Lobão. Em sua curta permanência no América, Tomires ainda
teve tempo de ganhar um belo troféu, a Taça Benjamin Gonçalves,
disputada contra o Náutico nos Aflitos. O rico troféu foi levado
pelo time esmeraldino após triunfo de 1x0. Tomires atuou como
sempre. Firme, discreto e intransponível.
Apesar
da fama de violento, ou talvez por isso mesmo, Tomires despertou o
interesse de grandes clubes do sul do país. No dia 26 de maio de
1953, poucos dias após a conquista da Taça Benjamin Gonçalves, e
em plena disputa do Torneio Municipal do Recife, a capital
pernambucana acorda com a novidade: Tomires fora convidado pela
Portuguesa de Desportos para realizar testes em São Paulo.
E lá se
foi Tomires ser cangaceiro na vida.
Após
o breve sonho luso, Tomires ganhou fama mesmo ao vestir a camisa do
Flamengo ao lado do amigo Pavão. Sua primeira partida na Gávea teve
lugar no dia 19 de fevereiro de 1954, vitória de 2 a 1 sobre o
Esperança. Caindo como luva no conjunto comandado por Fleitas
Solich, Tomires era o contraponto ideal ao futebol jogado por
Evaristo, Rubens e Moacir. Ao lado de Zagalo, Tomires fez parte da
migração alagoana que deu o tricampeonato dos anos 50 ao clube mais
querido do Brasil.
Porém,
talvez para justificar a fama de Cangaceiro, o jogo que marcou a
passagem de Tomires pelo Flamengo, foi a famosa final do campeonato
carioca de 1955 contra o América-RJ. Numa entrada forte, Tomires
quebrou a perna do meia Alarcon. Como não havia substituição
permitida no regulamento, o América assistiu impotente a goleada
impiedosa do adversário.
Encerrado
o ciclo no Flamengo, Tomires retorna ao Nordeste, vestindo as camisas
do Sport Clube Recife e do Treze de Campina Grande. Depois de
encerrar a carreira, o antigo homem mau da grande área viveu
momentos de penúria. Sem o devido preparo para o momento de amarrar
as chuteiras, Tomires se viu batendo a porta do Sport.
O presidente
Eduardo Cardoso se compadeceu do antigo zagueiro, empregando Tomires
na administração da Ilha do Retiro. Pouco depois, atendendo a ao
apelo do então técnico Zagalo e através de decisão do presidente
Hélio Maurício, o Flamengo pagou a entrada na compra de um táxi
para o jogador.
Finalmente,
Tomires conseguiu um pouco de tranquilidade em relação ao futuro de
sua esposa, Dona Luzinete, e de seus quatro filhos.

Ele só não se deu bem certa feita com Ivanildo, do Náutico, que gentleman nas atitudes, era cruel na disputa em campo. Tomires contundido na clávicula, heroicamente permaneceu no jogo, e nos choques de corpo Ivanildo não aliviava, sem nenhuma condescendência pela precária condição física do seu marcador...
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