24 de mar. de 2013









O estado de Alagoas deu ao América o talento de Dequinha, a categoria de Vicente e a valentia de Tomires, apelidado 'O Cangaceiro'. Com Tomires, atacante só entrava na grande área munido de muita coragem. Símbolo do futebol feito de músculos e raça, Tomires não ligava pra esse negócio de drible e firula. Tomires ia em cada lance como num prato de comida.

Tomires de Souza Galvão, nasceu no 8 de fevereiro de 1928 na cidade de Barra de Santo Antônio. Iniciando sua carreira no Clube de Regatas Brasil, mais conhecido como CRB, mesmo clube de onde se originou o arqueiro Vicente Lobão. Em sua curta permanência no América, Tomires ainda teve tempo de ganhar um belo troféu, a Taça Benjamin Gonçalves, disputada contra o Náutico nos Aflitos. O rico troféu foi levado pelo time esmeraldino após triunfo de 1x0. Tomires atuou como sempre. Firme, discreto e intransponível.

Apesar da fama de violento, ou talvez por isso mesmo, Tomires despertou o interesse de grandes clubes do sul do país. No dia 26 de maio de 1953, poucos dias após a conquista da Taça Benjamin Gonçalves, e em plena disputa do Torneio Municipal do Recife, a capital pernambucana acorda com a novidade: Tomires fora convidado pela Portuguesa de Desportos para realizar testes em São Paulo. 

E lá se foi Tomires ser cangaceiro na vida.

Após o breve sonho luso, Tomires ganhou fama mesmo ao vestir a camisa do Flamengo ao lado do amigo Pavão. Sua primeira partida na Gávea teve lugar no dia 19 de fevereiro de 1954, vitória de 2 a 1 sobre o Esperança. Caindo como luva no conjunto comandado por Fleitas Solich, Tomires era o contraponto ideal ao futebol jogado por Evaristo, Rubens e Moacir. Ao lado de Zagalo, Tomires fez parte da migração alagoana que deu o tricampeonato dos anos 50 ao clube mais querido do Brasil.

Porém, talvez para justificar a fama de Cangaceiro, o jogo que marcou a passagem de Tomires pelo Flamengo, foi a famosa final do campeonato carioca de 1955 contra o América-RJ. Numa entrada forte, Tomires quebrou a perna do meia Alarcon. Como não havia substituição permitida no regulamento, o América assistiu impotente a goleada impiedosa do adversário. 


Encerrado o ciclo no Flamengo, Tomires retorna ao Nordeste, vestindo as camisas do Sport Clube Recife e do Treze de Campina Grande. Depois de encerrar a carreira, o antigo homem mau da grande área viveu momentos de penúria. Sem o devido preparo para o momento de amarrar as chuteiras, Tomires se viu batendo a porta do Sport. 

O presidente Eduardo Cardoso se compadeceu do antigo zagueiro, empregando Tomires na administração da Ilha do Retiro. Pouco depois, atendendo a ao apelo do então técnico Zagalo e através de decisão do presidente Hélio Maurício, o Flamengo pagou a entrada na compra de um táxi para o jogador.

Finalmente, Tomires conseguiu um pouco de tranquilidade em relação ao futuro de sua esposa, Dona Luzinete, e de seus quatro filhos.

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Um comentário:

  1. Ele só não se deu bem certa feita com Ivanildo, do Náutico, que gentleman nas atitudes, era cruel na disputa em campo. Tomires contundido na clávicula, heroicamente permaneceu no jogo, e nos choques de corpo Ivanildo não aliviava, sem nenhuma condescendência pela precária condição física do seu marcador...

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