Por ROBERTO VIEIRA
Durante muito tempo - décadas.
A mística celeste inundou o planeta.
A equipe de garra e fúria passando por cima de tudo e todos.
E os hinos de guerra fascistas.
Símbolo da década de 30.
Assumiram seu lugar nas arquibancadas da Terra.
Estudiantes de La Plata quebrando o Milan.
Celtic e Rangers em guerra santa.
Almir destroçando o Bangu.
O Santos dopado se sagrando bicampeão mundial.
O ideal não era jogar bola.
Era ser macho pacas.
Daí... um belo dia.
As festivas torcidas organizadas se tornaram facções.
Braços armados pelas ruas.
Gangues de arruaceiros e desocupados.
Irmanados na violência nossa de cada dia.
Como o sensacional Batman desenhado pelo gênio Frank Miller.
Desenhos que eu devorava fascinado.
Imaginando que o mundo jamais seria daquele jeito.
Mas o mundo.
Se tornou mais perverso que o universo de Frank Miller.
Mutantes adolescentes.
Brutamontes sanguinários.
Hippies (?) facínoras.
Tatuagens nazistas.
Tribos guevaristas.
Trevas e terror gritando we will rock you.
Nos últimos dias.
O sangue tingiu a Avenida Rosa e Silva em Recife.
Após pugna guerrilheira entre duas torcidas rivais.
Na Bolívia.
Um sinalizador ceifou a vida de um garoto.
Mercê da torcida campeã do mundo.
O Corinthians fazendo de tudo para se tornar um símbolo mundial.
Um símbolo de povo e paz.
E os torcedores sonhando com a velha celeste olímpica.
Com os sonhos e pesadelos de Frank Miller.
Simples.
Para o criminoso, o rigor da lei.
Simples?
Que nada.
Só se for na Bolívia.
Pois no Brasil, rigor da lei não há.
Nem para torcedores de navalha na carne.
Nem para a corrupção generalizada.
Nem pra quem assassina pais, esposas ou retalha crianças.
Então.
Pra quem é apaixonado de verdade pelo seu clube.
Pra quem sonha com um clube grande de verdade.
Forte.
Digno de ser olhado com admiração.
Resta defenestrar os dirigentes que se apoiam neste braços armados.
Resta não comprar os artigos destes nazistas capitalistas.
Resta denunciar os políticos que se elegem sob seu beneplácito.
Resta dizer não ao descalabro de mortes.
Onde só deveria haver alegria e gol.
Raça se demonstra em campo.
Molhando a camisa com o suor da transpiração.
Futebol se joga com os pés.
Nunca.
Com a morte na palma da mão...

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