Por ROBERTO VIEIRA
O Santos empatou.
O terremoto moveu o chão do Panamá.
Homens portando metralhadoras entraram na casa de Rubens.
Terno e gravata.
O Spartak chega para enfrentar o São Paulo.
O Rio de Janeiro continua lindo.
Na tortura toda carne se trai.
Onde está Lamarca?
Dr. Lobo?
Hemorragia interna.
Médici anuncia seu novo comando político.
Somos tricampeões mundiais.
Rubens voltou pra casa faz muito tempo.
Sonhando com um Rio de Janeiro, fevereiro e março.
Não haverá outro fevereiro, Rubens.
Ele não é um prisioneiro de guerra.
Ele não é um prisioneiro.
Ele não é.
O manual do exército não se aplica aos terroristas.
Desapareçam com as provas.
O corpo retalhado vai se espalhando por Pindorama.
As mãos, os pés, braços, pernas e coração.
Os filhos e a mãe gentil.
No exato instante do seqüestro.
O centro do Rio de Janeiro fica sem luz.
O Brigadeiro Correia de Melo é sepultado.
Luto na Aeronáutica.
Yustrich chama Doval pra conversar.
Mas o gringo não quer aquele abraço.
Zagalo explica aos tricolores o que eles vão ter de engolir.
Djalma Santos diz adeus ao futebol.
No exato instante em que Rubens dá seu último suspiro.
E de repente, Marcelo.
Todos esses quarenta e um anos foram velhos.
Repletos de mentiras e ordens unidas.
Quem sabe depois de hoje.
Quem sabe depois da verdade bafejada sobre a pátria mãe.
Tão distraída pelas Copas do Mundo.
Possamos finalmente dizer:
Feliz Ano Novo!


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